O assédio moral não é um mal da modernidade. Através da história constata-se que os trabalhadores vivem situações de tortura mental por parte dos seus superiores hierárquicos.
O trabalho humano desde a antiguidade foi desconsiderado, sendo realizado por escravos, prisioneiros de guerra, pois era um subproduto da expansão econômica ou do imperialismo das civilizações. O homem já experimentava assédio moral devido a grande competitividade, individualismo exacerbado, insegurança em perder o emprego.
O respaldo científico, dado pela pesquisa realizada pela Dra. Margarida Barreto, médica do trabalho e pesquisadora, demonstra as graves conseqüências da degeneração das relações de trabalho que vão desde irritação a sentimento de revolta, sensação de inutilidade, pensamentos confusos, indignação, desencadeamento da vontade de beber, anorexia, bulimia, falta de ar, entre outras, até tentativas de suicídio.
Assédio moral se configura numa das faces mais cruéis da violência. Também chamado terror psicológico, é considerado como conduta abusiva, se caracterizando por todo tipo de ação, gesto, comportamento hostil, ou palavra que atinja pela repetição, a auto-estima e a segurança de uma pessoa. Esse ato implica normalmente em sérios constrangimentos, seja diante do grupo, da sociedade, ambiente doméstico e no trabalho, de onde emergem as mais sérias denúncias com terríveis conseqüências para o assediado, quanto a sua saúde física e mental, e altos custos de indenizações para o assediador, pessoa física ou empresa.
A empresa precisa ficar atenta, pois é responsável pelo ambiente de trabalho, e seria prudente através de palestras, cartilhas e outros meios, iniciar um programa de prevenção ao assédio moral, evitando assim sérias complicações. Importante seria disponibilizar canais abertos de comunicação, como as Ouvidorias, Departamento Pessoal ou Relações Humanas, que possam dar um encaminhamento rápido às questões.
A falta desses mecanismos tem custado fortunas às empresas públicas e privadas julgadas culpadas.No Brasil, de acordo com a mesma fonte, em primeira instância no TRT, o Unibanco foi condenado a pagar 2 milhões e 800 mil reais a um funcionário vitima de assedio moral pela chefia. Nos EEUU essa cifra sobe a milhões e milhões de dólares, como ocorreu a uma rede internacional de supermercados, com filial em nossa cidade.
O setor público tem sido campeão de denúncias. Entra governo sai governo o assédio moral prolifera. Ações tirânicas passivas ou ativas são as maiores queixas, assim como o isolamento imposto como castigo por ter sido aliado de governos anteriores.
Esse terrorismo psicológico é um processo destrutivo em relação ao homem, e por ser quase imperceptível a sociedade não reage normalmente diante dessa violência, que visa desacreditar o profissional e o ser humano diante da própria existência. Tem sido uma forma de assassinato frio, cruel, planejado, que só se extingue quando a vítima pede demissão. Infelizmente, esta estratégia é usada no trabalho para provocar as demissões por `in-justa` causa, usando das chefias para consumação do ato.
As denúncias apontam as mulheres como mais susceptíveis ao assédio. O Conselho da Condição Feminina de Franca se articula para coordenar uma campanha de prevenção e esclarecimento sobre o tema `Terrorismo Moral uma Violência Real`. Prevenir sempre é melhor que remediar!
MODELITOS
Pesquisamos alguns modelitos de chefes, que se enquadram perfeitamente no perfil que as queixas revelam. Muitos chefinhos e chefões se tiverem espírito crítico se reconhecerão neles.
Pode ser um caminho para mudanças no estilo. De repente é assediador, ou assediadora, e não se deu conta. Dá tempo ainda! Margarida Barreto assim os descreve em sua publicação `Uma jornada de Humilhações`, 2000, PUC – SP.
Realmente tragicômico:
TROGLODITA:
Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista seu ato, para sentir-se respeitado e temido por todos.
É brusco e um tanto grotesco. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. Sempre está com a razão. Seu tipo é:`eu mando e você obedece".
`TA SE ACHANDO`.
Confuso e inseguro. Esconde seu desconhecimento com ordens contraditórias: começa projetos novos, para no dia seguinte modificá-los. Exige relatórios diários que não serão utilizados. Não sabe o que fazer com as demandas. Se algum projeto é elogiado, colhe os louros. Caso contrário, responsabiliza a `incompetência` dos subordinados.
PROFETA:
Sua missão é `enxugar` o mais rápido possível a máquina, demitindo indiscriminadamente os trabalhadores/as. Refere-se às demissões como `grande realização da sua vida". Humilha com cautela, reservadamente.
As testemunhas quando existem são seus superiores, mostrando sua habilidade em `esmagar` elegantemente.
GRANDE IRMÃO:
Aproxima-se de você, mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um, independentemente se "intra ou extra" muros. Na primeira oportunidade, utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador, para rebaixá-lo, afastá-lo do grupo, demiti-lo ou exigir produtividade.
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