Sociedade dos sonhos


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Escrever, para mim, foi a maneira que encontrei de nunca parar de brincar, de sonhar e de imaginar. Escrever é uma forma de transformar a vida. Não fui menino-prodígio, fui rebelde, fiz um pouco de tudo; meus olhos enxergaram arbitrariedades, opressões, torturas. Cruzaram-se com olhos de medo dos desamparados, viram olhos aterrorizados, olhos tristes de mães que perderam filhos nas malhas do vício, de pais que morreram ao peso do trabalho mal remunerado e sem proteção, de homens que sucumbiram ao frio, debaixo de pontes e viadutos, de doentes que exalaram o suspiro derradeiro em filas de instituto, nas portas de hospitais, de trabalhadores vítimas do mínimo minguado salário que não dá para a migalhas do café, de camponeses espoliados pelos senhores da terra, de crianças raquíticas que pedem esmolas e recebem indiferença, dos que são violentados em sagrados direitos, falados, escritos, apregoados, ditos inalienáveis, mas esquecidos quando devem ser respeitados, quando incomodam. Escolhi o jornalismo e nunca me arrependi. Sempre me lembro da criança, do adolescente que fui e do adulto que hoje sou que é para entrar em sintonia com meus sentimentos e falar do meu imaginário para o imaginário das crianças, dos jovens e dos mais velhos, sempre com muito otimismo. Foi assim que imaginei uma sociedade ideal. Nela não existe o aborto, simplesmente porque não é necessário, uma vez que todas as gravidezes são profundamente desejadas e todos os filhos gerados com amor, em famílias capazes de criá-los sem passarem necessidades. Na minha sociedade ideal não existe prostituição porque não existe mercado para ela. A sexualidade é encarada sem preconceito e como opção de cada um, sendo a liberdade individual um valor prezado e respeitado por todos. Na minha sociedade ideal também não existem prisões porque não existe crime, ninguém rouba, viola, mata, todos se respeitam e vivem em harmonia, considerando as liberdades de cada um e de todos, contribuindo para o bem-estar geral e a paz, construindo em conjunto uma sociedade civilizada. Na minha sociedade ideal não existe discriminação nem racismo, todas as pessoas são iguais aos olhos uns dos outros e têm os mesmos direitos, sem terem de existir leis contra a discriminação racial, social ou sexual, pois a igualdade é um conceito de tal forma enraizado que não existe espaço para a marginalização. Nesta sociedade ideal, os políticos cumprem o que prometem ao povo, são honestos e respeitados e ninguém morre em filas de prontos-socorros. É... Mas, infelizmente, o mundo não é perfeito e a sociedade ideal não existe. Ainda assim não se pode apenas deixar acontecer, é vital que os sonhos não morram, que não se perca o brilho e que a emoção às vezes possa predominar a razão. Pois só assim os pequenos, mas intensos momentos de felicidade nos permitam atingir a plenitude, alcançar a paz tão desejada, o equilíbrio tão perseguido, a vida tão sonhada. POSITIVO Prefeitura de Franca intimou e os responsáveis pelo terreno abandonado na Rua Voluntários da Franca, esquina com a Homero Alves, centro da cidade, refizeram a calçada. Falta limpar o terreno, com mato de mais de dois metros de altura, onde se escondem ratos, baratas e escorpiões. NEGATIVO Continuam sem semáforos os trevos de acesso ao Franca Shopping e Carrefour. Na hora do rush é um Deus nos acuda. Será que estão à espera de um grave acidente para resolver esse problema? RETRATO DE BRASÍLIA Um empresário marca audiência com um ministro, em Brasília. Enquanto aguarda para ser atendido, é tratado com toda solicitude pelo chefe do gabinete, na sala de espera. Quando, finalmente, é recebido pelo ministro, o empresário sente a falta de sua carteira, que estava no bolso do paletó. Fica constrangido, mas resolve levar o fato ao conhecimento do ministro: - Eu não sei nem como lhe dizer, Excelência, mas minha carteira sumiu! Eu tenho certeza que estava com ela ao entrar na sala de espera de seu gabinete. Eu tive o cuidado de guardá-la bem, após apresentar o RG lá na portaria. Eu não quero fazer nenhum tipo de insinuação, mas, na verdade, a única pessoa com quem eu estive, de lá para cá, foi com seu chefe de gabinete. O ministro nem espera o empresário terminar de falar, retira-se da sala, sem falar nada, e segundos depois retorna com a carteira desaparecida na mão. Ao recebê-la de volta, o empresário comenta, completamente passado: - E... Eu sinto muito... Espero não ter causado nenhum problema entre o senhor e seu assessor na hora em que pegou minha carteira de volta. - Não se preocupe, ele nem percebeu! LARANJEIRA Não a árvore, mas bem poderia ser. Carlos Laranjeira, bom amigo, jornalista e autor de livros, me manda dois frutos de sua produção, Vontade de vencer (com histórias sobre políticos do Brasil) e A verdadeira história do rouba mas faz (no Brasil não se hesita em lançar mão de qualquer arma, quando se trata de destruir o adversário). Endereçou-os ao Luiz Neto, editor de Opinião do Comércio e já fiz a entrega. O primeiro comentário do moço foi interessante: “num País de cuidado ne-nhum com o passado, saber que gente da competência do Carlos Laranjeira opta por gritar no deserto da pesquisa histórica e do resgate de memória é sinal de que ainda há jeito. Que essa árvore não tombe”.

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