Experiência de comunicação


| Tempo de leitura: 2 min
Desde quando aprendi a ler, tinha muita curiosidade em saber como se fazia um jornal. Tinha na conta de minha reflexão infantil que a produção de um jornal era algo mágico. Como, de um dia para o outro, tantas notícias, informações recentes poderiam surgir diariamente em páginas impressas? Era um mistério que me intrigava e ao mesmo tempo incentivava à leitura cotidiana. Quando por algum motivo, não tinha acesso ao jornal do dia, sentia-me ausente, excluído do contexto da história que se passava e que moldurava os horizontes da vida. O jornal diário ajudava-me a situar-me, a fazer-me presente através das informações e do conhecimento adquirido. Com o passar do tempo, o mistério da produção diária dos jornais não era mais objeto de meu interesse, não se podia dizer o mesmo de sua leitura – tornei-me leitor contumaz. Quando tive notícias da criação do Conselho de Leitores do Jornal Comércio da Franca pensei em candidatar-me a uma vaga, pois me despertou o interesse poder estabelecer diálogo mais próximo com editores, como leitor. Tive uma agradável surpresa no decorrer das reuniões, ao perceber um progressivo e efetivo diálogo entre os leitores e a grupo responsável pela produção do jornal. O diálogo consultivo em relação às diversas pautas apresentadas durante as reuniões possibilitou a experiência de uma convivência plural de idéias e posicionamentos resultando num aprofundamento afetivo entre os participantes e direção. Nesses dois anos de participação no Conselho de Leitores, pude novamente constatar uma verdade simples: qualquer que seja a produção humana, ela se aperfeiçoa na medida em que realiza uma experiência de diálogo. Um bom jornal a serviço da comunicação não termina no oferecimento acumulativo de informações. Ele pode contribuir para a construção de conhecimentos significativos, críticos e transformadores na medida em que generosamente estabelece um vínculo afetivo e efetivo com seus leitores. Essa tarefa se torna imperativa especialmente no presente contexto, onde diversos setores do poder público tentam camuflar até a exaustão práticas ilícitas e quando instituições, especialmente aquelas criadas para promover a construção do saber e conhecimento, sonegam à população possibilidades de conversas e conhecimentos em nome de obediências e burocracias. Um jornal diário numa cidade do interior, muitas vezes fica sendo o último recurso à prática de cidadania de se fazer ouvir e falar. Desejo que o novo Conselho de Leitores, que inicia sua jornada, a diretoria e editores aprofundem-se sempre mais no exercício do diálogo criativo e que o Jornal Comércio da Franca continue a ousar – se preciso, com teimosia –, para que, a comunicação possa seguir livre seu caminho de produção de novos conhecimentos. Aproveito para agradecer publicamente a toda equipe do jornal Comércio da Franca nas pessoas acolhedoras da professora Sônia e do Júnior. A curiosidade de infância está preenchida. Compreendi que o encantamento do processo de produção de um jornal diário não se circunscreve apenas aos limites dos processos industriais de produção. Vai além: inicia e termina com a construção de idéias, aprofundamento e alargamento de olhares. MARCELO PINI PRESTES é arquiteto e arqueólogo

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários