O novo fenômeno da agroenergia está produzindo mudanças substanciais por todo o País. Importante região canavieira até os anos 70, o norte fluminense chegou a ter o segundo pólo de produção de açúcar e álcool do Brasil. Depois, murchou. A produção despencou. Agora, com a explosão do etanol, a região poderá recuperar seu período de apogeu.
Essa possibilidade ficou clara no seminário promovido pelo jornal O Dia, do Rio de Janeiro, para analisar esse potencial.
A região é composta basicamente por pequenos proprietários, a maioria absoluta dos quais com agricultura familiar. Há uma flagrante diferença de produtividade entre as propriedades menores e as maiores. As maiores produzem de acordo com a média nacional. As menores têm, produtividade 50% inferior.
Além disso, a região dispõe de um sistema de canais para irrigação construídos há décadas pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento. Os canais permitiram acabar com a febre amarela em vastas parcelas da região, abrindo espaço para o cultivo da cana.
Além da drenagem dos terrenos, em períodos de pouca chuva permitiam puxar água do alto Paraíba, garantindo a irrigação. O DNOS foi extinto no início da década de 90, e nunca mais houve manutenção nos canais. Mas eles estão lá.
A queda da produção de cana deixou uma capacidade instalada ociosa expressiva, tanto no esmagamento de cana quanto na produção de álcool e açúcar. Para aumentar a produção, a região não demandará investimentos adicionais. Bastará organizar melhor os plantadores, disseminar novas tecnologias, estimular a cooperação entre eles, visando aumentar a produção via aumento de produtividade.
As vantagens da região são expressivas. Há o mercado interno. O Rio de Janeiro produz apenas 20% do álcool hidratado que consome. Além de poder suprir essa demanda, haverá uma demanda adicional expressiva, se o governo do Estado reduzir o ICMS, a exemplo do que fizeram governos de seis Estados, incluindo São Paulo e Minas Gerais.
O mercado externo está a menos de 50 km das zonas produtoras, no porto Açu, que está sendo construído em São João de Barra. É uma vantagem imbatível.
As instituições de ensino e instituições técnicas estão mobilizadas para pesquisa e treinamento de mão-de-obra. A Universidade Federal Fluminense tem um bom acervo de pesquisas nas áreas trabalhista e ambiental. Bancada pelo Sebrae estadual, a área acadêmica preparou um diagnóstico bastante completo sobre as condições da região, identificando vantagens e vulnerabilidades.
A Fatec de Campos está criando um conjunto de cursos para suprir a necessidade de mão-de-obra especializada. O Senai está treinando 2 mil trabalhadores para o porto de Açu. E, com os royalties da exploração de petróleo e gás, a prefeitura de Campos criou um fundo destinado a preparar a cidade para quando o petróleo acabar.
O fundo financiou a aquisição de uma usina média por uma cooperativa de produtores e financiou investidores para novas usinas.
Se bem sucedido, o Pacto de Campos - com essa articulação de atores diversos em torno de um objetivo comum - poderá ser replicado para outros Estados.
CAPITAL EXTERNO
A entrada de investimentos estrangeiros no Brasil acumula um crescimento superior a 100% no ano. Entre janeiro e abril, os ingressos somam US$ 10,049 bilhões, um aumento de 111,65% sobre o mesmo período do ano passado. Só em abril esses ingressos somaram US$ 3,471 bilhões, o maior valor já registrado para o mês. O bom desempenho nos primeiros meses do ano fez o Banco Central elevar a expectativa dessas entradas de US$ 20 bilhões para US$ 25 bilhões. Em 2006, elas somaram US$ 18,782 bilhões.
Segundo o BC, os investimentos em abril se concentraram mais no setor de serviços (US$ 1,907 bilhão), principalmente no ramo do comércio (US$ 814 milhões). No ano, o setor de serviços também concentra esses investimentos (US$ 5,247 bilhões), seguido pela indústria (US$ 3,324 bilhões).
SERASA
O grupo irlandês de análise de crédito Experian anunciou ontem a compra do controle da Serasa, maior empresa brasileira do setor. O preço pago pela parcela inicial da compra (65%) é de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 2,32 bilhões). Segundo comunicado da Experian, nos próximos seis meses a participação na Serasa deve chegar a 70%. Os bancos Itaú e Unibanco (que, com o Bradesco, controlam a Serasa) comunicaram a assinatura do contrato de venda com a Experian ontem. Segundo os comunicados das duas instituições, a Experian pagará R$ 925,78 por ação da Serasa e a liquidação financeira dessa operação ocorrerá até o final do mês de julho. A Serasa tem mais de 300 mil clientes diretos e indiretos e atende cerca de 3,5 milhões de consultas por dia, além de empregar 2.400 pessoas no País. A Experian Group Limited é líder global na prestação de serviços analíticos e de informação a organizações e consumidores. A empresa é listada na Bolsa de Valores de Londres (London Stock Exchange), tem 13.500 funcionários em 36 países (atendendo a clientes em mais de 60 países) e gera receitas anuais de US$ 3,5 bilhões.
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