Na correria do tiro de guerra


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O despertador toca às 4h50 da madrugada e Wesley Rodrigues Dourado,18, levanta, troca de roupa, toma café da manhã e sai de casa com sua moto às 5h40. Às 6 horas, ele e mais 99 jovens se apresentam para as atividades do Serviço Militar Obrigatório no Tiro de Guerra de Franca. Depois de duas horas de treinamentos, o atirador Dourado, como é conhecido no grupo, vai para casa e, 45 minutos depois, segue para o trabalho. Auxiliar de escritório em uma fábrica, ele sai da empresa e volta para casa às 17 horas: toma banho, janta e se prepara para ir à escola, por volta das 19 horas. Depois de 4 horas de estudo, ele chega em casa às 23 horas e, finalmente, vai dormir. No outro dia, às 4h50 o despertador toca novamente e começa tudo de novo. Assim é a puxada rotina da maioria dos cem convocados do Tiro de Guerra na cidade. Preparados para representar o País, a responsabilidade social desses jovens é grande e o dia-a-dia deles, uma correria só. Ao completar 18 anos de idade, todo brasileiro do sexo masculino é obrigado a realizar o alistamento militar em uma junta de Serviço do Exército em sua cidade. Dos cerca de 2800 jovens que se alistam anualmente em Franca, cem são destacados para cumprir o período de um ano de serviço à pátria. A convocação depende de uma análise médica e psicológica, além da demonstração de interesse do candidato durante uma entrevista. Se convocado, o jovem terá instruções militares, ensinamentos disciplinares e aprenderá a amar e respeitar sua pátria. Isso inclui, no caso de uma guerra, lutar até a morte pelo seu país. O Estado de São Paulo é o que mais possui Tiros de Guerra - são 74 unidades formando quase 6 mil reservistas por ano. Segundo o tenente e chefe da instrução em Franca, Mário Carlos Rangel da Silva, a missão da corporação é formar combatentes da defesa territorial. “O Tiro contribui para formação de homens cívicos conscientes dos problemas da comunidade local e participantes de atividades voltadas para a nação”. Para os que trabalham e estudam, a rotina é pesada. De segunda-feira a sábado, das 6 às 8 horas da manhã, eles devem se apresentar no batalhão do Exército localizado na Vila Aparecida. Além disso, formam uma equipe de plantão e, de 12 em 12 dias, oito deles ficam no local por 24 horas. Mas eles gostam. “É muito bom, nós aprendemos bastante. Quando sairmos, no final do ano, vou ficar com saudades da correria e do dia-a-dia no Exército e dos grandes amigos que fiz por aqui”, diz o atirador Túlio César da Silva, 19. Durante as duas horas diárias de atividades, eles praticam exercícios físicos e participam de palestras instrutivas em diversos temas, como drogas, alcoolismo, doenças contagiosas, administração pública, prevenção contra acidentes de trânsito, combate a incêndios, defesa civil e religião. Trabalham ainda em ações voluntárias, como doação de sangue, campanha de vacinação, arrecadação de agasalho, óleo e Natal Sem Fome. Segundo o sargento de artilharia do Tiro, Gelson Adriano Langner Ribeiro, as ações ajudam a construir homens de bom caráter. “Os atiradores são formados para atuar em prol da parte social e voluntária da comunidade em que estão inseridos. Assim, se tornam grandes pessoas e excelentes cidadãos”. FUTURO MILITAR A participação do Tiro de Guerra desperta o interesse em muitos jovens em seguir carreira dentro das Forças Armadas, no Exército, Marinha ou Aeronáutica do Brasil. Nesse caso, é imprescindível prestar concurso e escolher em que área militar seguir. Para cada unidade militar é uma função diferente e são necessários homens e mulheres com habilidades específicas, como soldado, cabo, tenente, sargento, capitão, auxiliar de escritório, mecânicos, médicos, dentistas, cozinheiros, eletrotécnicos, entre outros. O tenente Rangel é um deles. Ele fez Tiro aos 18 anos e, desde então, se apaixonou pela área militar. Estudou e passou em concursos para formação de cabo e sargento. “Gostei tanto do Tiro de Guerra que quis crescer na área. Hoje, consegui entrar no Exército”, conta ele que ainda pretende subir na escala militar. “Me aperfeiçoei, fiz também cursos de pára-quedismo, línguas estrangeiras, como o inglês e espanhol, e pretendo seguir adiante na carreira”. Seu sonho é trabalhar como comandante em uma embaixada internacional.

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