Domingo, 24 de junho. Estava eu de plantão no Hospital Unimed Franca. Como faço sempre, o Dr. Calisto foi, pela manhã, ver alguns de seus pacientes e nós dois nos encontramos. Conversamos. Terminei um procedimento, despedi-me e voltei para a ala de consultas. Eu não sabia que aquela seria a última vez que o veria com vida!
Eu e o Calisto não éramos íntimos. Tínhamos uma convivência médica por próxima, ele como médico da Polícia Militar e eu atendendo alguns policiais em vários serviços. Freqüentemente conversávamos acerca desses policiais atendidos. Em rápidas palavras, esse era meu contato com Calisto. Harmonioso, mas formal.
Domingo, por volta das 19h00, a primeira notícia sobre o acidente com Dr.Calisto. Não acreditei, foi preciso que outros médicos que estavam na Santa Casa confirmassem. Estado grave, todos fazendo o melhor de si para salvá-lo, mas não foi possível.
Estava eu ainda de plantão. Senti um vazio, faltou-me o ar, tive certeza de que nós, os remanescentes sobre a Terra havíamos perdido um ser humano pleno. Dizem alguns religiosos, principalmente os espíritas, que Deus chama para perto de Si aqueles que vivem num patamar diferenciado. Se é verdade, Calisto era um desses...
Eu não sabia que gostava tanto dele; sua presença me fazia melhor. Tenho certeza de que onde estiver, seguramente irá fazer com que sua família, amigos e pacientes suportem sua ausência e continuem a vida.
Eu não sabia,amigo Calisto mas agora sei. No seu último dia de vida, você foi ter comigo. Muito obrigado. Aquele contato rápido fez com que eu entendesse melhor a vida. Fique com Deus. Quem sabe, um dia nos reencontramos.
MARCO AURÉLIO PIACESI é médico emergencialista e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca, gestão 2007/2008. Seu texto se refere ao Dr. Calisto Jorge Ticly Neto, que morreu no domingo, vítima de acidente na Rodovia Cândido Portinari, ocorrido próximo a Cristais Paulista.
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