‘Sem-terra’ no Cangoma


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Você curte fotos artísticas? Então, ainda dá tempo de conferir a exposição Lar, Doce Lar - Sem Terra, do professor universitário Alexandre Milito, de 49 anos. O evento termina na próxima sexta-feira, dia 29, e acontece no Centro Cultural Cangoma, com entrada franca para o público em geral. Em entrevista ao Comércio, Milito contou muitas histórias que ficaram em sua memória dos três dias em que esteve em Colina (SP), registrando com sua máquina fotográfica o dia-a-dia das mulheres que vivem nos acampamentos. O convite para acompanhar a trajetória destas pessoas surgiu em novembro de 1997, após ele visitar a cidade para fazer fotos para uma reportagem da Folha de S. Paulo. "Eles me convidaram para passar alguns dias com eles, e voltei intencionalmente para fotografar. Durante aqueles três dias percebi totalmente o contrário de tudo que a mídia mostrava sobre os sem-terra. Eles são gente como a gente. São famílias e estão lá porque não têm outra solução", afirma o idealizador da exposição Mulheres Sem-Terra (feita antes do fotógrafo Sebastião Salgado), que em seu original possui, ao todo, 15 imagens e foi inaugurada em Franca no dia 8 de março de 1998, Dia Internacional da Mulher. Com vontade de focar outros assuntos com seus trabalhos, Milito expõe apenas quatro imagens desta exposição no Cangoma. "Como agora eu foquei em outras coisas no acampamento, resolvi mesclar para não repetir o mesmo trabalho", revela o artista, que levou doze rolos de filme na época, além de ter sentido na pele o que vivem os sem-terra. "Acompanhei as mulheres cuidando de seus maridos, filhos, da roupa, dormi na barraca com eles. Eles chegavam até a disputar a minha atenção. Eu chegava a almoçar com três, quatro famílias por dia", relembra. Quem ouve Milito falando sobre fotografia tem a certeza de que o cara é muito apaixonado por sua profissão. Com um estilo próprio - tem 90% de seus trabalhos em preto e branco -, ele já encantou muita gente com seus trabalhos. E a emoção se torna ainda maior quando fala sobre sua imagem preferida: a de uma moça cozinhando (foto maior, acima). "Ela estava com 17 anos nesta foto e na época tinha dois filhos. Mas, pelo que eu ouvi falar, parece que hoje ela está com cinco", diz ele. Além desta, há também a foto de uma barraca que marcou o nome da exposição, "Lar, Doce Lar". "Esta foi uma das primeiras fotos que fiz. Foi quase na mesma hora em que cheguei ao acampamento", revela. DE HOBBY a PROFISSÃO É coisa do destino. O carioca Alexandre Milito formou-se em duas universidades diferentes. Primeiro cursou Engenharia na Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro. Anos mais tarde, freqüentou as aulas do curso de Jornalismo da Unifran (Universidade de Franca), enquanto também era responsável pelo laboratório de fotografia da universidade. Aí não teve jeito, e Milito continuou na empreitada, tornando-se, posteriormente, professor de fotojornalismo da universidade. Neste meio tempo, ele chegou a montar um estabelecimento comercial, mas não teve sorte. "Eu fotografava primeiramente como hobby, montei laboratório em casa e até hoje continuo na profissão", afirma.

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