Comércio da Franca - Você já fez alguma outra exposição?
Alexandre Milito - Fiz uma do Carnaval do ano 2000, quando tínhamos a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil.
Em Franca, três escolas de samba usaram o tema "Brasil 500 Anos" e eu fiz a exposição no Franca Shopping. E fiz outra também, chamada Acústico, no Cangoma, de pessoas com instrumentos musicais.
Comércio - De onde surgiu a idéia de fotografar estas pessoas com instrumentos musicais?
Milito - Eu gosto muito de palco, e como fui contratado para fazer as fotos, achei interessantes as imagens e resolvi expô-las.
Comércio - Você dá nome aos seus trabalhos?
Milito - Não.
Comércio - Por quê?
Milito - Eu acho que nomear as fotos direciona a leitura. E a minha intenção é deixar a pessoa livre para entender, sentir o que ela quiser de acordo com suas vivências, com seu conhecimento de mundo, eu acho mais válido isso.
Comércio - Como foi para você ter passado esses três dias em Colina?
Milito - Foi uma boa experiência. Apesar das dificuldades em não ter banheiro, em dormir em barracas, tive de me acostumar com as comidas fortes que eles comiam. Além de tomar banho no rio em pleno setembro, que é uma época de muito frio.
Comércio - O que você achou deles?
Milito - Eles são muito gente fina. São hospitaleiríssimos, me receberam muito bem e lutavam entre si para ter a minha atenção... (risos)... E eu me desdobrava para agradar a todos e tirar fotos.
Comércio - Você conheceu pessoalmente o fotógrafo Sebastião Salgado?
Milito - Não. Mas tive a oportunidade de conferir a exposição, vi também a exposição Works, onde ele expunha fotos de trabalhadores e achei bem bacana.
Comércio - Por que este fascínio pelas imagens em preto e branco?
Milito - O papel preto e branco é diferente, tem uma particularidade, é mais bonito, tem mais estilo. Em comparação com a foto digital, ele não é melhor. São dois estilos completamente diferentes.
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