Bonsucesso: mais de dez casas estão abandonadas


| Tempo de leitura: 3 min
Casa do Jardim Bonsucesso, na zona oeste, é vista com mato alto e sem sinais de moradores. No mesmo conjunto, outras unidades estão com vidros quebrados
Casa do Jardim Bonsucesso, na zona oeste, é vista com mato alto e sem sinais de moradores. No mesmo conjunto, outras unidades estão com vidros quebrados
Com as primeiras casas entregues há seis meses, o Conjunto Habitacional do Jardim Bonsucesso, na Zona Oeste de Franca, ainda não está totalmente habitado. Ao andar pelas ruas do bairro, é possível ver que, apesar de toda a infra-estrutura oferecida (no local há asfalto, água, luz, tratamento de esgoto e telefone), pelo menos dez unidades estão abandonadas pelos contemplados. Os imóveis foram construídos pelo sistema PAR (Programa de Arrendamento Residencial), da Caixa Econômica Federal, e disputados por mais de 1500 famílias. Apenas 434 foram sorteadas. As casas desocupadas ficam em ruas diferentes. Cada moradia, avaliada em quase R$ 30 mil, tem dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro, construídos em uma área de 160 metros quadrados. Muitas estão tomadas pelo mato e com os vidros quebrados pela ação de vândalos. Os vizinhos revelam que é comum furto de fios e até mesmo invasão. A dona de casa Emília Salete, 43, mora ao lado de um dos imóveis fechados na Rua Alcides Carucci, uma das principais vias do bairro. Para ela, a falta de morador traz insegurança durante a noite. “Não durmo tranqüila. Como a casa está aberta, sem muro, fica fácil alguém pular para dentro da minha. É preciso tomar alguma providência”, diz. Ex-morador da Vila São Sebastião, o comerciante Nivaldo Mariano Mendes, 47, também reclama da situação. “Tem tanta família precisando de uma casa, enquanto aqui tem várias fechadas, sem ninguém manifestar interesse. O contemplado deveria ter consciência e, se não for usar, passar para o suplente”. Eduardo Sontini Silva, encarregado pelo bairro na Imobiliária Espaço Nobre, reconheceu a existência de imóveis fechados no local, mas não confirmou o total de unidades apurado pelo Comércio. “Sabemos de quatro casas, duas delas inclusive estão em processo de substituição dos contemplados. As outras ainda estão em processo administrativo em que o mutuário é notificado para dizer se tem ou não interesse no imóvel e se vai mudar”. O prazo final para a mudança, as casas foram entregues até fevereiro, terminou em 8 de maio. Depois, se o contemplado não responder é feita uma nova notificação e só então aberto na Justiça um pedido de reintegração de posse. “Pode haver outras casas fechadas, mas não sabemos. Muitas vezes, o contemplado coloca um pano na janela para disfarçar, por isso pedimos o apoio dos moradores para denunciar caso não vejam movimento no local”. Segundo Silva, nos casos apurados a desistência ocorreu devido a problemas familiares. Para Vanderlei Tristão, superintendente da Prohab (Divisão de Habitação Popular de Franca) e um dos organizadores das listas de concorrentes aos imóveis de conjuntos habitacionais, não é comum registro de contemplados que abandonaram os imóveis depois do sorteio. “Temos um déficit muito grande de moradias e as famílias cadastradas estão desesperadas para fugir do aluguel. Por força do convênio, não posso atuar, mas acho que a Caixa deve agir imediatamente para repassar essas casas aos suplentes”. Para Vanderlei, é difícil explicar os motivos que levam as famílias a desistir dos imóveis, mas, na maioria dos casos em que as razões são reveladas, brigas familiares ou insatisfação com as condições de pagamento ou do imóvel são as principais causas do abandono.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários