A culpa é do termômetro


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O país arde em febre. Aeroportos em ebulição. Nervos à flor da pele. E o ministro Mantega diz: –- Os problemas decorrem mais do aumento do fluxo de passageiros, refletindo um pouco do sucesso da economia. Não bastasse a declaração da ministra do turismo, agora é a vez de outro homem público, do primeiro escalão do governo federal dar sua versão sobre os fatos que infernizam a vida de muitos brasileiros há mais de nove meses. A capacidade de encontrar culpados fora da cúpula de governo parece ser uma síndrome que afeta políticos do Brasil. Há tempos, em nossa cidade, os problemas de atendimento nos serviços de saúde pública foram atribuídos à população que `não sabe usar o sistema`. É impressionante. No anedotário popular dizem que o português vendeu o sofá depois de encontrar sobre ele sua esposa em ato libidinoso com outro homem. Definitivamente estar no governo significa isentar-se de tudo de ruim que acontece no País, no Estado, no município, sem se eximir das benesses da velha e gorda máquina pública. Ainda que fossem as dores do crescimento, o que vem acontecendo nos aeroportos do País é, no mínimo, falta de planejamento. Ou será que nem eles, nossos governantes, acreditavam no tal espetáculo do crescimento, vislumbrado pelo ministro? Agora estão prendendo os operadores de vôo por realizarem operação-padrão. Alto lá. Como assim? Operação-padrão gera prisão dos controladores? Mas eu achava que o certo era fazer como manda o padrão. Quer dizer que quando a coisa funciona é porque tem alguém fazendo algo fora do padrão? É, parece mesmo que o País arde em febre. Mas a culpa deve ser do termômetro, colocado no nosso... ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico, integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca, reeleito para a gestão 2007/2008

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