Política de galinheiro - parte II


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Dia desses ao ser abordado por um amigo e ser interpelado sobre a importância dos poderes do Estado, disse: a problemática dessa pergunta, quem deveria responder-te melhor seria o barão de Montesquieu, pela sua "genial" idéia em triparticionar o poder, sem pelo menos, ter aventado para o risco da acentuada tendência corrupta, demagógica e falível do ser. Levando em conta a sua origem aristocrática, a grande descoberta político-científica atribuída a Montesquieu foi a do loteamento e/ou divisão do poder estatal em partes específicas - onde os homens que as desejassem, escolheriam o tipo de atividade de trabalho com a qual se identificassem mais, para que, assim, pudessem exercer o domínio de um povo, em posições estrategicamente distintas com suposta independência e sob a batuta democrática repousada em liberdade condicionada. O que ocorreu com sua tripartição do poder nada mais foi do que conferir competências a indivíduos para a manutenção da harmonia entre eles. Montesquieu não fez uma descoberta excepcional triparticionando a coisa, ele tão somente faz a divisão, no intuito de oferecer tipos de filão-institucional que asseguraria poder a seus detentores, resultando no equilíbrio de interesses e nada mais. Hoje podemos dizer seguramente que fomos surpreendidos com outro tipo de "poder`, motivado por diferenças sociais gritantes, pela corrupção e falência das instituições – fazendo com que surgisse o crime organizado que aí está e exige também o seu filão como poder independente e marginal... Que o barão de Montesquieu descanse em paz; enquanto as mazelas do poder atormentam os que aqui ficaram. Retomemos agora à política-rasteira, conforme prometido na primeira parte do artigo, sobre política de galinheiro instituída com a colaboração do nobre barão e legalmente exercida nos dias atuais. Concentrando as atenções (metaforicamente) para a espécie de galo hermafrodita (detentor de cargo majoritário), aquele capaz de botar ovos, chocá-los e ver nascer seus pintos políticos. Ficando claro quando constatamos o efeito persuasivo e envolvente que essa figura política (o galo) exerce, fazendo nascer, politicamente, eleitores com profunda convicção, devoção e lealdade às suas idéias – um exemplo simples é quando ouvimos falar de alguém que é chamado de peronista (na Argentina), castrista (em Cuba) ou chavista (na Venezuela). Causando tal partidarismo, alienação com perda do senso crítico, tornando o indivíduo em objeto de manobra, de espírito passivo e mente tacanha. Entretanto, existe outro tipo de pinto político, aquele gerado calorosamente pelo galo, sendo preparado e domesticado segundo os objetivos pessoais daquele que o choca (preparando-o para política) e o bota, doutrinando o pinto até tornar-se `frango` (iniciando-o na vida pública), exigindo desse, lealdade absoluta no poder, mesmo que para isto tenham (o galo e o frango) que representar teatralmente ao ponto de simularem discordâncias e diferenças políticas para imprimirem falsa sensação de liberdade e independência entre ambos, perante a opinião pública. Para finalizar, não ignoremos a existência dos outros `frangos`, congregados também no particionamento legislativo de poder sucumbente. Sem liderança, fadados a serem brinquedos de quem joga bem no campo da política. Bonecos de terno que dificilmente chegarão a ser `galos`, pois ainda pensam, agem e ciscam como frangos. Obviamente, existem exceções no meio político, de homens e mulheres que resistem bravamente em não permitir que os vermes da corrupção e da subserviência lhes carcomam as carnes. RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integrante do Conselho de Leitores do Comércio, reeleito para a gestão 2007/2008

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