Pela terceira vez, o nome do chefe do Gabinete da Prefeitura, José Paschoal Ribeiro, foi citado na CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga irregularidades nas obras do Córrego dos Bagres. Desta vez foi o engenheiro civil Marco Antônio Franceschi, afastado da Secretaria de Planejamento e responsável pela elaboração do projeto da obra, que afirmou que Paschoal "dia sim dia não cobrava incessantemente a conclusão do projeto e do Orçamento, que era o que mais interessava a ele".
Antes, Caetano Perobelli, ex-presidente da Comissão Permanente de Licitações, e Wilson Teixeira, ex-secretário do Planejamento, já haviam declarado, em seus depoimentos, que as ordens para prosseguir com as licitações, ainda que com erros, partiram do Gabinete. O Ministério Público acusa Teixeira, Perobelli, Frances-chi, a mulher dele, Taísa Frances-chi, dona da Betontest, além de um dos sócios da FFC Engenharia, José Eduardo Corrêa, e o engenheiro Virgínio Reis, de participar de um esquema que teria o objetivo de superfaturar as obras de contenção de enchentes do Córrego dos Bagres e desviar R$ 1,2 milhão dos cofres municipais.
O depoimento de Franceschi aconteceu ontem de manhã, durante três horas, na Câmara Municipal. Ele foi acompanhado pelo advogado Reginaldo Carvalho e explicou que, como o Gabinete estava pressionando para agilizar o término do projeto, ele primeiro entregou uma planilha de custos, depois fez um orçamento detalhado, constando o aditamento (acréscimo de verba para possíveis imprevistos) e, ainda, um terceiro orçamento sem aditamento, todos no valor de R$ 4.179.476,52.
Segundo Carvalho, os valores utilizados no orçamento feito pelo engenheiro foram fornecidos pelo DER (Departamento de Estrada e Rodagem). "É impossível ter havido superfaturamento, ele (Franceschi) não tirou os preços de forma aleatória", disse.
O advogado também ressaltou que seu cliente não sabe quem pediu para a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) fazer um novo projeto para confrontar o do engenheiro. "Foi uma precipitação. Franceschi não foi chamado por ninguém para esclarecer dúvidas que pudessem existir sobre o projeto. Tinha que ser feita uma perícia e um profissional da área deveria ter feito as confrontações de todos os projetos. O da Emdef não contempla as mesmas dimensões do projeto".
O presidente da CEI, Silas Cuba (PT), estranhou a existência de três orçamentos para o mesmo projeto e disse que as declarações implicam ainda mais Paschoal no caso. "Ele foi citado nos três depoimentos e todos os envolvidos no caso afirmam que receberam pressão dele. Parece claro que, de uma forma ou de outra, ele participou do processo, ainda que pudesse não saber na época”.
Paschoal e Rocha foram procurados, mas não atenderam a reportagem. O assessor de imprensa da Prefeitura, Marcelo Facuri, disse que eles não vão se pronunciar enquanto "vocês (Comércio) estiverem distorcendo o enfoque". O diretor-responsável pelo jornal, Corrêa Neves Junior, nega distorção e diz que o jornal “tem a obrigação de divulgar, com responsabilidade, os fatos”. Para ele, as dúvidas seriam resolvidas se o prefeito viesse a público e esclarecesse de onde vinha a pressão para a licitação ser realizada e as razões pelas quais acontecia. “Há reclamação de mais e explicação de menos.
Basta Sidnei Rocha ou Paschoal vir a público, negar a pressão exercida sobre a Copel e desmentir seus três ex-colegas que dizem que o gabinete do prefeito forçava o andamento da licitação”, argumenta.
Os próximos convocados da CEI serão o presidente da Emdef, João Marcos Rodrigues, e Paschoal, chefe do Gabinete. "Amanhã (hoje) vamos decidir quem convocamos para prestar depoimento na quinta-feira", disse.
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