Eles são jovens. Têm entre 16 e 27 anos. São estudantes. Moram em cidades da região e estudam em Franca. Jéssica Manhagni, 16, Luís Gonzaga Júnior, 27, e Camila Fucuta, 18, têm mais um detalhe em comum: não conhecem praia e sonham em visitar cidades do litoral brasileiro para saber como é pisar na areia e mergulhar num “tanque de água salgada”, que faz ondas - mar.
Visitar praias não é o único sonho a permear a mente dos jovens de Franca e região. Morar nos EUA e montar um negócio para enriquecer, fazer um tour pela Europa, estudar inglês em escolas da Inglaterra, trabalhar como babá ou garçonete no exterior são outros planos desses jovens.
Colegas de classe, Luis Gonzaga e Camila planejam viajar para a praia, mas os destinos desejados são diferentes. Ele deseja passear em Fernando de Noronha (PE) e ela, em Ilha Bela. “Acho que deve ser um dos lugares mais bonitos do mundo e perfeito para curtir a natureza”, disse Luís, estudante de Química Industrial.
A viagem mais longa que Camila fez foi até São Paulo, quando, há nove anos, foi de van com familiares buscar a avó que chegara de viagem. “Meus pais não têm condições de me levar para praia. É uma vontade que tenho e vou realizar”, disse ela, que não sabe em quanto ficaria o passeio. “Nem cheguei a consultar preços. Preciso conseguir um emprego para juntar dinheiro e viajar.” A vontade dela é se aventurar. “Quero tentar surfar.”
A jovem Jéssica Manhagni, 16, estudante do segundo ano do ensino médio, poderia visitar qualquer praia no Brasil, mas sua paixão está no sul do País. Depois de ver várias fotos feitas por um primo em Florianópolis, ficou fascinada pelo lugar e quer visitar a capital de Santa Catarina. Se conseguir o passeio, quer que seja caprichado. “Vou ficar num hotel bem bonito, com todo conforto. Já que vou, que seja um passeio com bastante mordomia e para nunca mais esquecer.”
A cabeleireira Núbia Maria de Holanda, 22, sonha mais alto. Ela sabe bem o que quer para o futuro e está de olho em outro País. O sonho dela é se mudar para os EUA, trabalhar num salão de beleza até conseguir montar um próprio, juntar “uma boa grana” e voltar para Franca. “Enquanto não tenho dinheiro e coragem para me mudar, vou fazendo planos, fico sonhando com a viagem.”
Núbia passou a alimentar a idéia de viver como imigrante depois de conhecer histórias de amigos que se mudaram para o exterior para trabalhar. Ela ficou ainda mais interessada na mudança depois de saber da trajetória de sucesso das irmãs Padilha, em reportagem exibida pela Globo, há alguns anos. As sete brasileiras foram para os EUA e prosperaram depois de inovar os conceitos de beleza ao montar o salão J. Sisters e fazer as unhas das clientes retirando cutículas e fazendo depilação com cera. Os negócios expandiram e hoje as Padilha mantém a matriz em Nova Iorque e filial em Miami. Os serviços são requisitados por celebridades de Hollywood, como Sandra Bullock e Gwineth Paltrow, segundo o programa Globo Repórter.
Até o momento, a cabeleireira de Franca não “descobriu a pólvora” para garantir sucesso com alguma novidade entre as americanas, mas sempre pensa no assunto. “Quero fazer como elas: levar algo inovador e conquistar as clientes para ganhar muito dinheiro”, disse.
A jovem planeja pisar com as malas em território estrangeiro daqui a 15, 20 anos. Ela iniciou a vida profissional como caixa de uma loja de utilidades domésticas e, há três meses, montou um salão no Centro com outras duas sócias e consegue R$ 600 por mês. O dinheiro é usado para pagar aluguel do cômodo e as despesas que tem. A intenção da cabeleireira é começar guardar dinheiro para realizar seu desejo. “Vou fazer reservas e embarcar para os EUA sim. Ficarei lá uns tempos e depois de enriquecer, retornarei para Franca porque não vou agüentar de saudades da minha família.”
Núbia terminou o ensino médio, fez curso profissionalizante e se formou cabeleireira há dois anos. Ela é solteira e mora com os pais.
Quem realizou o sonho de pisar fora do País, conta com orgulho as experiências vividas e lições aprendidas. Ludmila Moscardine Pires, 24, morou um mês em Londres, em 2006, e relata as aventuras que viveu.
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