Ganhando vida nova


| Tempo de leitura: 3 min
Marcelo, de apenas 7 anos, passou por cirurgia no dia 15 de junho. Agora, 12 dias após, ele já consegue ir ao banheiro sozinho
Marcelo, de apenas 7 anos, passou por cirurgia no dia 15 de junho. Agora, 12 dias após, ele já consegue ir ao banheiro sozinho
O pequeno Marcelo* finalmente ganhou uma vida nova. Depois de passar anos sofrendo, agora ele conta os dias para ter a rotina de um menino normal. Marcelo nasceu sem o ânus. Este defeito o impediu de ter atividades comuns às crianças como andar de bicicleta, correr ou jogar futebol com os amigos. Apesar da pouca idade (ele tem apenas 7 anos), a história de vida de Marcelo é um exemplo de superação. O menino passou os primeiros dois anos de sua vida entre o hospital e sua casa. “Como ele não tinha o ânus, os médicos colocaram uma bolsa em sua barriga para a sujeira sair. O problema é que ele sempre acaba tendo infecções e precisava ser internado. Era muito triste ver ele pequeno e sofrendo assim”, relembra Juliana Aparecida, mãe do garoto. Aos 2 anos, Marcelo passou por sua primeira operação. “Achei que tudo estaria resolvido, mas os problemas continuaram. O canal para a saída do cocô foi aberto, mas meu filho não conseguia controlar a vontade de ir ao banheiro e passou a ter de usar fraldas”. Até o início do ano, o garoto conseguia driblar o incômodo gerado por seu problema de saúde, mas, ao entrar para a escola, isso mudou. Tendo de freqüentar as aulas de fraldas e, muitas vezes, perdendo o controle de sua defecação, o menino passou a ser alvo de brincadeiras de mau gosto por parte dos colegas de turma e chegou a ser discriminado por sua professora e pela direção da escola. “A diretora não aceitava meu filho na escola, foi humilhado por professores e coleguinhas de sala. Foi uma fase muito difícil”, conta Juliana. A vida de Marcelo começou a mudar no último dia 29 de março, quando a história do garoto ganhou as páginas do Comércio da Franca e foi divulgada pelo programa Hora do Cacete, da rádio Difusora. Depois de ficar a par do caso, o médico urologista Joaquim Pereira Ribeiro se ofereceu para ajudar o garoto e devolver a ele o controle de suas necessidades fisiológicas. A cirurgia aconteceu no dia 15 de junho e foi um sucesso. No dia da operação, Marcelo entrou na sala de cirurgia às 6h30 e só saiu quatro horas depois. “Deixei meu filho na sala de cirurgia e só o reencontrei depois das 10h30. Foram quatro horas de ansiedade. Queria muito saber como ele estava”, disse Juliana Aparecida. Doze dias depois, Marcelo já responde bem à operação e começou a levar uma quase vida normal. “Ele já vai ao banheiro constantemente sem ajuda de ninguém. Sinto que já está se acostumando com a nova vida”, disse a mãe. Marcelo mudou de escola e deve voltar a freqüentar as aulas no início de agosto. Agora seu maior objetivo é fazer a operação cicatrizar o mais rápido possível para que ele possa andar de bicicleta. “Tô só contando os dias e já combinei com os meninos da rua”, disse o garoto. Para a mãe de Marcelo, a cirurgia foi um novo começo. “Vejo o meu filho hoje e penso em tudo que passamos juntos. Nunca pensei em desistir, ao contrário, fui até o fim e, quando ele corre de um lado para o outro e brinca com outras crianças, percebo que todo sofrimento valeu a pena. Ele é a minha vida. Só tenho a agradecer a todos que nos ajudaram. Ele hoje é um outro garoto, muito mais feliz”, disse a mãe. *Nome fictício.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários