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Gerente de manutenção do Comércio, Geraldo Louzada fala de seus trabalhos e revela ser apaixonado pelo abstrato, estilo que marca seus quadros e incentiva sua arte
Gerente de manutenção do Comércio, Geraldo Louzada fala de seus trabalhos e revela ser apaixonado pelo abstrato, estilo que marca seus quadros e incentiva sua arte
Os que têm estado nas salas de Corrêa Neves Júnior, diretor-responsável do Comércio da Franca, de Sônia Machiavelli, presidente do Conselho de Administração, e de Dulce Xavier, diretora administrativa, opinam com interesse sobre alguns quadros que emolduram as paredes desses espaços. Os visitantes que chegam ao prédio novo do jornal ficam curiosos diante da combinação alegre de cores e perguntam sobre o autor das obras. O nome dele é Geraldo Louzada, tem 41 anos e define-se como autodidata. "Eu pinto desde a minha infância e sempre fiz isso com muito prazer", afirma o idealizador das obras de cores quentes, linhas fortes, e imagens fixadas com tinta acrílica, que hoje enfeitam nossa capa e nem sempre recebem nome. "Eu nunca me preocupei com a questão de dar nomes a minhas obras. Inclusive estou sempre mudando a minha assinatura. Este é um estilo para gravar, para me identificar", revela ele. Mas não são apenas as diversas maneiras de assinar seus trabalhos que formam o estilo de Geraldo. Por não se adaptar muito bem à arte acadêmica, aprofundou-se no abstrato e adota o estilo como fundamental para traduzir seus estados de espírito. "Eu me identifico mais com o abstrato e isto vem de longa data", declara o artista, destacando o que mais chama a atenção em seus trabalhos. "Gosto de muito movimento, muita cor. E é nesta característica que as pessoas reconhecem o meu trabalho", afirma ele. Porém, mesmo com tanta beleza disposta nas telas, Geraldo aponta um lado negativo para os artistas adeptos do abstrato. "Geralmente as pessoas não entendem, não dão valor a este tipo de obra de arte, principalmente aqui no interior. Em grandes centros, onde há muito movimento cultural, a coisa é diferente", diz. Questionado sobre os artistas de que mais gosta, Geraldo citou muitos, nos quais também se inspira. "Eu gosto muito da japonesa Tomie Ohtake, do russo Wassily Kandinsky, de Manabu Mabe, que são todos abstratos. Esta é uma escola de que eu gosto, sempre com muita cor e elementos geométricos como o cubismo", afirma Geraldo, que adoraria se aprofundar mais nestas tendências, ou então dar aulas de pintura a crianças e jovens carentes. "Mas, infelizmente, a vida é muito corrida, o trabalho não permite", brinca. Com o costume de pintar sempre à noite, Geraldo comenta que precisa estar bem para trabalhar com seus quadros. Além disso, confessa que seu maior sonho é viver de arte. "O problema é que isto se tornou muito comercial. Os quadros estão se tornando apenas objetos de consumo, produtos decorativos”, reflete. Profundo amante das artes, Geraldo, desde muito cedo, se aventura por esse universo. Começou a pintar em seus 13, 14 anos de idade, e nunca mais parou. "Eu sempre pintei. Espero apenas a inspiração vir. Quando ela chega é muito bom", afirma ele. Autodidata, freqüentou apenas um curso de pintura, em 1984, na escola Santa Mônica, com Olina Gosuen, onde aprendeu algumas técnicas. Também, segundo ele, nunca expôs seus trabalhos em galerias. Talvez por falta de tempo ou incentivo. "Me falta mais confiança em expor a arte. Eu não me considero ainda um artista plástico. Careço um pouco mais de conhecimento e maior crédito em meu potencial", afirma. Mas o que comprova seu talento é a aprovação de muitos que vêem e admiram o seu trabalho. Geraldo também já trabalhou com aerografia, pintando com spray, usando muita criatividade. Com estes trabalhos, ele participou de seu único evento público, o "Manhã de Arte na Praça", ocorrido na Praça Nossa Senhora da Conceição em 1999. "Na época eu mostrei minhas pinturas com spray e tive a oportunidade de conhecer muita gente e trocar idéias com os artistas", relembra ele, que tem em seu acervo 80 telas.

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