Patagônia


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Cristais de gelo, rio, iceberg e montanha com neve: de tão lindo, parece inacreditável. Isso é a Patagônia Chilena
Cristais de gelo, rio, iceberg e montanha com neve: de tão lindo, parece inacreditável. Isso é a Patagônia Chilena
Paisagens maravilhosas, icebergs, lagos cristalinos, montanhas, ilhas, cachoeiras, animais exóticos. Tudo isso em um só lugar: Patagônia Chilena. A convite da companhia Cruzeiros Marítimos Skorpios, eu e mais quatro jornalistas (Marcel Frota do Diário de São Paulo, Carlos Eduardo Reche, jornalista em Goiânia, Lígia Prestes, free-lance em revistas, e Margarida Azevedo do Commercio de Recife) fomos conhecer este local eleito há sete anos pela revista Os Caminhos da Terra, como o lugar mais bonito do mundo. E realmente é. Com direto a seis noites de cruzeiro explorando as surpresas da Patagônia, o fim da viagem ainda contava, por mais seis dias, em conhecer o Remota, um hotel cinco estrelas inspirado num rebanho de ovelhas. A viagem começou no dia 19 de abril deste ano. De Franca a São Paulo, foram seis horas de ônibus até o aeroporto de Guarulhos. Lá, conheci os outros jornalistas e, bastante empolgados com a viagem, seguimos de avião para Santiago, capital do Chile. Depois de quatro horas de viagem até Santiago, pegamos outro avião para Punta Arenas, mais 3090 quilômetros. De lá, fomos de ônibus em mais 246 quilômetros para Porto Natales, de onde partiu o navio. A bordo do Skorpios III, 110 passageiros vindos de cinco países diferentes: Brasil, EUA, Uruguai, Argentina e Chile. A primeira coisa que fizemos foi explorar os cinco andares do navio: o primeiro, uma cobertura ao ar livre para apreciarmos as paisagens de perto; o segundo era composto pelos quartos e a cabine do capitão; o terceiro tinha dois bares, zeus e apolo, com open-bar completo e 24 horas funcionando; já no quarto andar, ficava a cozinha e a sala de jantar; e o quinto era composto por galpões e quartos dos funcionários do navio. A primeira noite, com o navio ainda ancorado, começa com um jantar repleto de peixes e vinhos. Logo depois, exaustos da viagem, fomos descansar. No outro dia bem cedo, saímos do navio e, de ônibus, fomos para nosso primeiro destino: a Cueva Del Milodón (Caverna do Milodón), referência a um grande monstro que habitou a caverna, espécie de um bicho - preguiça gigante. O local é interessante, bem pré-histórico e parece cenário de filme. Em seguida, um passeio ao Parque Torres del Paine, um dos principais cartões-postais do Chile. Montanhas, gramado, árvores, pássaros e lagos. Só de aves o local abriga 105 espécies. Entre os animais, guanacos (primo do camelo), ñandus (avestruz), ovelhas e zorros (raposa). Com um piquenique no meio da natureza, o momento é único e merece muitas fotos. De volta ao navio, começa o cruzeiro. Na primeira viagem marítima de quase todos a bordo, o coração bate acelerado. Após as saudações do capitão, Constantino Kochifas Cárcamo (confira a sua história nesta página), o Skorpios III começa a sua 110ª rota. O primeiro ponto turístico a ser visitado é o glacial Amália, na parte central do Chile. Por ser o primeiro, é o mais especial. Parecia que estávamos no Titanic. As camadas de gelo azuladas são impressionantes. No terceiro dia de viagem, uma visita ao maior glacial da América do Sul: o Pio XI. Em um bote menor chegamos bem pertinho dele e pudemos apreciar mais de 1.500 quilômetros quadrados; 7 km de comprimento; 85 km de largura e 95 metros de altura formados por camadas de gelo deslumbrantes. A imagem dos imensos blocos de gelo são inesquecíveis e registradas, é claro, por todos dentro do bote. No mesmo dia, uma visita a Puerto Éden, localizado em uma ilha, a 400 quilômetros ao norte da cidade de Puerto Natales. Lá, vivem 250 pessoas descendentes da etnia Kaweskar, a qual habitou o local há milhões de anos. Com aparência de índios mais bem vestidos, eles vivem do artesanato e da pesca. Mas quem pensa que estamos no fim do mundo, acertou. Estamos mesmo, mas com internet... Para surpresa, a ilha de Puerto Éden tem computador, correio, mercearia, escola e cemitério. No quarto dia de cruzeiro, novos cenários no caminho, mas na Patagônia, a natureza surpreende sempre. Fomos conhecer o glacial Constantino, nome batizado em homenagem ao capitão do navio. Essa parte da viagem é uma das mais esperadas pelos turistas. Neste iceberg, os passageiros têm oportunidade de tomar uísque com gelo milenar retirado dos glaciais. Milhares de fotos são feitas e o pessoal fica todo animado. O navio segue pelos glaciais Alípio, Fiordo Calvo, Brujo e Fernando. Junto deles vemos cristais de gelos transparentes gigantes espalhados pelo mar. Uma imagem linda de se ver. Para agüentar o frio que fazia durante as visitas às geleiras, eram servidos chocolates quentes e cobertores para ajudar a aquecer o passeio. No quinto dia os turistas experimentam a última saída nos botes em um outro lugar diferente e belo: o glacial Bernal. É possível caminhar pelo local e chegar à base da gigantesca pedra de gelo. Esse é o glacial em que podemos chegar mais perto e até mesmo passar a mão nele. Cheio de porosidade e em tons azuis, é uma sensação muito boa. No sexto e último dia, encerramos o cruzeiro num passeio entre montanhas, pelas quais escorrem fios de água da neve derretida dos picos. A noite de despedida é selada com um jantar de gala no baile do capitão. Depois de um discurso de despedida, é servido mais um banquete. Após a sobremesa, apagam-se as luzes e músicas de diversas nacionalidades começam a tocar em seqüência. Alguns minutos de timidez e logo depois já estão todos na pista. E nós, brasileiros, não podíamos deixar de representar bem o País. Na mesma velocidade de todo cruzeiro, entre 18 e 27 km/h, o Skorpios III navegou a noite toda de volta ao ponto de partida. O desembarque acontece novamente em Puerto Natales. Depois do café-da-manhã, é hora de arrumar as malas e despedir dos novos amigos feitos na viagem. A cada milha náutica percorrida das 732 de todo o cruzeiro na Patagônia Chilena foi uma experiência maravilhosa. Para mim, foi tudo inédito e perfeito: andar de avião, navio, ver neve, icebergs, conhecer outro país e escrever minha primeira matéria internacional. Sentimento inexplicável. Para conhecer a Patagônia Chilena e navegar pelo Skorpios, o preço do pacote depende da estação do ano, mas gira em média de US$ 5,6 mil por pessoa. Acesse o site e veja mais detalhes: www.skorpios.cl.

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