Vivemos em uma época pró-diga. Nunca antes na história des-te País - para usar uma frase que nosso presidente adora repetir aos quatro ventos - os políticos estiveram tão dispostos a falar tanta besteira em rede nacional.
Os exemplos abundam. Marta Suplicy (PT-SP), ministra do Turismo, foi a primeira da atual leva. Disse ela, no último dia 14, para o brasileiro que a crise aéria nada mais é que uma piada: “relaxa e goza”, aconselhou, com a experiência de quem é sexológa. Gozou, por assim dizer, com a cara do cidadão que tem de esperar dias em um aeroporto lotado para embarcar.
Mas não foi só. Outro mi-nistro de Lula, Guido Mantega, da Fazenda, também mostrou que sabe ser fanfarrão. Com se fosse um dos mais especializados técnicos em aviação co-mercial do País, disse - sem corar, atentem ao detalhe - que a desgraça nos aeroportos é causada, veja você, leitor, “pelo sucesso econômico do Brasil”. Ou seja, se quisermos andar de avião, temos que torcer para as coisas irem de mal a pior em terras tupiniquins.
Parece evidente que a elite política brasileira sofre de algum tipo de apagão mental. Com-pletamente alheia à realidade em que a maioria dos brasileiros vive, ela adquiriu, com os anos, a incrível capacidade de enganar a si mesma.
Nos últimos dois anos, a economia brasileira teve índices de crescimento desprezíveis se comparado aos seus colegas da América Latina. Se considerarmos os dois anos, o crescimento não chegou a 6%, índice maior somente que o pobre Haiti, em guerra civil. Em um ano, o Chile cresceu 6,2% - mais que o Brasil em dois, portanto. Se a comparação for com a Argentina, o dado é ainda mais triste: os “hermanos” expandiram sua economia em 9,2% só em 2006.
Este é, pois, o retrato dos políticos brasileiros. Criam uma mentira (a economia do Brasil está ótima) e, em cima dela, criam outra desfaçatez ainda mais impressionante (os vôos estão um caos porque a economia vai bem).
A realidade, pois, é que o crescimento é menor do que o de todos os países emergentes e que a crise aérea é resultado direto da falta de investimentos no setor aéreo e da inépcia de nossos governantes em lidar com um problema que se anuncia há mais de 15 anos.
Verdadeiros gozadores, pre-ferem continuar empurrando com a barriga à espera que a bomba estoure em outras mãos. O dia tarda, mas chega. A bomba estoura. E o povo sente, na pele, as fanfarronices dos políticos.
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