A CEI que investiga a existência de irregularidades em licitações para obras de contenção de enchentes no Córrego dos Bagres deve chamar o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) para depor. O presidente da CEI, Silas Cuba (PT), acredita que, após os depoimentos de Caetano Perobelli, ex-presidente da Copel, e Wilson Teixeira, secretário afastado de Planejamento, que todo o processo era de conhecimento de Rocha e quer explicações. Ele concedeu entrevista exclusiva ao Comércio. Confira.
Comércio da Franca - O senhor solicitará o depoimento do prefeito?
Silas Cuba - No momento certo ele será chamado para dar alguns esclarecimentos. Está claro que quem autorizou e pressionou para que saísse essa obra foi o prefeito.
Comércio - Acha que ele atenderá à convocação?
Cuba - Pelo princípio da harmonia entre os poderes, não podemos convocá-lo, mas convidá-lo. Sabemos que ele é autoritário e centralizador. No episódio dos cones, não disse que quem manda na cidade é ele? Mas a CEI vai exercer seu papel. Ele decidirá se quer ou não atender o convite. Seria importante que ele viesse.
Comércio - A seu ver, o que Perobelli e Teixeira quiseram dizer quando afirmaram que o prefeito “sabia de tudo”?
Cuba - Observo que existe muita mágoa na fala dos dois. Foram convidados para serem leais ao prefeito e se viram em situação difícil quando o prefeito foi a público dizendo que existia superfaturamento e irregularidades. Foram execrados publicamente. Mas fica claro que alguém está mentindo. Se não for o prefeito, cabe a ele vir a público e dizer quem mente.
Comércio - O prefeito disse que o senhor está “de ressaca” por causa da derrota na votação do projeto da Sabesp. O que acha disso?
Cuba - De maneira alguma. São assuntos distintos. Muito antes da CEI, o assunto Sabesp já vinha sendo discutido. Derrotados como? É público que dificilmente derrubamos projetos do prefeito, porque ele tem maioria ampla. O prefeito tem que se preocupar com essas irregularidades na licitação, que vamos apurar sem motivação de vingança. Só estamos exercendo nossa função de fiscalizar. Ninguém gosta de ser investigado e fica claro que há desconforto de sua parte.
Comércio - Como avalia os depoimentos já colhidos?
Silas - Muito proveitosos. No primeiro, do secretário Sebastião Ananias, questionamos a questão da responsabilidade do secretário que controla receitas e despesas. Ele deixou de assinar a licitação, não homologou, não adjudicou, mas autorizou o pagamento. Foi omisso na questão. Depois, o Perobelli disse que o gabinete acompanhou tudo de perto e o secretário Wilson relatou toda a pressão exercida pelo prefeito sobre ele. Além disso, descobrimos que os pagamentos feitos à FFC pela primeira era feitos por medições, realizadas por Marco Antônio Franceschi, filho do dono da empresa.
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