O escândalo dos Bagres chegou às portas do Gabinete de Sidnei Rocha. Os depoimentos de dois dos principais envolvidos no caso - Caetano Perobelli e Wilson Teixeira - à CEI (Comissão Especial de Inquéritos) que investiga o caso, indicam que o prefeito estava inteirado das licitações. Em um dos depoimentos, um assessor direto dele foi responsabilizado por, em nome do prefeito, dar continuidade a um processo com irregularidades.
Quem fez a “acusação” foi Caetano Perobelli, ex-presidente da Copel (Comissão Permanente de Licitações), o primeiro a depor.
Segundo ele, a ordem para que os editais fossem publicados, mesmo sem a documentação necessária, partiu diretamente de José Paschoal Ribeiro, chefe de Gabinete do prefeito. “A publicação foi feita antes do processo ser concluído porque eu recebi ordens do Paschoal, que disse estar cumprindo ordens do prefeito. Eu ainda alertei o chefe do Gabinete sobre os riscos, mas a ordem foi prosseguir”, disse, na segunda-feira.
Outro a mencionar o prefeito em seu depoimento foi o ex-secretário de Planejamento Wilson Teixeira. Segundo ele, Sidnei Rocha conhecia e acompanhou de perto todos os procedimentos que envolveram as licitações para obras de contenção de enchentes no Córrego dos Bagres. Em seu depoimento, chegou a dizer - sem precisar o grau de conhecimento do prefeito - que nenhuma etapa foi feita sem o consentimento dele. “O prefeito tinha conhecimento de todo o andamento”, disse.
A informação contrasta com a versão do prefeito, que afirma ter tomado ciência do processo poucos dias antes de cancelar a licitação, em 19 de março. Questionado durante toda a semana pelo Comércio sobre o assunto, Rocha esquivou-se de responder.
Na última quinta-feira, entretanto, falou sobre o caso e assumiu que realmente conhecia o processo, mas apenas superficialmente. “O prefeito sabe de todas as licitações, discute com o secretário de Planejamento Urbano as obras que vão ser colocadas em execução, mas não discute qual vai ser o preço, quem vai ganhar, isso não existe”, disse.
As declarações fizeram com que o presidente da CEI, Silas Cuba (PT), cogitasse o convite de Sidnei para depor (veja mais na página A-5). O prefeito, contudo, reagiu com ironia. “O Silas está de ressaca da derrota que teve terça-feira (sobre o projeto da Sabesp, que foi aprovado) e ainda não acordou”, disse.
O CASO
O Ministério Público acusa Teixeira, o ex-chefe da Copel, Caetano Perobelli, o engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceshi, a mulher dele, Taísa Franceshi, dona da Betontest, além de um dos sócios da FFC Engenharia, José Eduardo Corrêa, e o engenheiro Virgínio Reis, de participar de um esquema que teria o objetivo de superfaturar as obras de contenção de enchentes do Córrego dos Bagres e desviar R$ 1,2 milhão dos cofres municipais. O processo também é investigado pela Justiça e foi alvo de sindicância da Prefeitura.
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