Nos primeiros seis meses do ano, cerca de 460 pessoas foram roubadas em Franca e tiveram a desagradável sensação de ver um revólver ou uma faca apontados para sua cabeça. Em média, são três assaltos por dia. Para a polícia, o número está dentro dos padrões aceitáveis e é considerado até baixo para uma cidade com 350 mil habitantes e de ritmo acelerado de crescimento. Para quem vive aqui, o índice assusta, principalmente, porque o grau de violência empregado pelos assaltantes cresce mais que o desenvolvimento de Franca.
Espancamentos, tiros disparados a esmo, torturas psicológicas e ameaças de morte são apenas alguns dos recursos empregados pelos bandidos para obter êxito em seus roubos. A sucessão de casos violentos é tamanha que ocorrências são registradas até em plena luz do dia no Centro da cidade.
Terça-feira, 19 de junho, 15 horas. Centro de Franca. Os irmãos Francisco e Leonildo Enciso deixam um escritório de contabilidade na Rua Voluntários da Franca com uma pasta nas mãos. Pretendiam depositar o dinheiro. Ainda na calçada, foram atacados por dois homens armados e reagiram. Francisco levou três tiros, enquanto o irmão foi agredido a coronhadas. Os ladrões fugiram levando R$ 7 mil, talões de cheques e documentos.
Francisco já recebeu alta e se recupera bem em casa. Procurado na sexta-feira para comentar a onda de violência, disse que preferia não falar. O medo é justificável: os autores do disparo continuam nas ruas e a família dele está traumatizada.
Outro caso igualmente brutal ao dos irmãos aconteceu no dia 4 de maio. Era noite quando três bandidos invadiram a casa da bancária Rosa Santa Batista, 47, no Condomínio de Chácaras Morada do Sol, próximo ao Distrito Industrial. Mesmo não tendo reagido e obedecido às ordens dos ladrões, ela foi espancada violentamente. "Foi uma sessão de tortura: por três vezes colocaram a faca no meu pescoço e diziam que iriam me matar.
Chegaram a bater com força minha cabeça contra o cofre". Quinze dias depois, a vítima ainda estava com as marcas das agressões pelo corpo.
Rosa Santa se mudou para outro bairro. Quase dois meses se passaram e ela ainda está aterrorizada. "Há poucos dias, aconteceu um assalto perto de minha nova casa e revi tudo novamente. Parece que estou meio neurótica. Tomo mais cuidado e sempre me assusto ao notar algo suspeito".
Duas semanas após a bancária viver momentos de terror, foi a vez do vereador Gilson Pelizaro (PT) sentir na pele os efeitos da violência que toma conta da cidade. Manhã do dia 18 de maio, o político deixava sua casa, no Jardim Martins, para levar o filho à escola. Foi rendido por três homens armados. Gilson, a mulher e os filhos ficaram sob a mira de um revólver por 40 minutos e receberam várias ameaças. "Não me agrediram fisicamente, mas a tortura psicológica foi grande. Foi terrível. Puxaram meu cabelo e mantiveram um revólver na minha nuca o tempo todo", relembra.
Ainda assustado, o vereador tem hesitado em comparecer à delegacia para fazer reconhecimento de suspeitos.
O sitiante aposentado Antônio dos Reis, 70, não escapou para contar sua história. Ele foi morto dentro de casa por assaltantes no dia 6 de abril. Os criminosos foram presos.
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