Uma casa pequena, no fundo de um corredor estreito, com apenas três cômodos para uma família de sete pessoas. É assim que a trabalhadora rural Joana Cruz da Conceição, 30, o marido Sérgio Reis da Silva, 27, quatro filhos e o sogro Pedro José da Silva, 56, vivem em São José da Bela Vista. Todos são de Regeneração, no Norte do Piauí, e estão no Estado de São Paulo para trabalhar no corte da cana, única atividade que sabem desenvolver.
Com uma renda média de R$ 1200 por mês, eles ainda não conseguiram juntar dinheiro suficiente para comprar uma casa própria. Com muita economia, adquiriram eletrodomésticos como aparelho de som, DVD, fogão, geladeira, tanquinho de lavar roupa e até um celular com câmera fotográfica. "Antes não tínhamos quase nada. A televisão e a geladeira eram muito velhas. Se hoje temos isso, foi a cana quem nos deu", disse Joana.
Saudade da terra natal? Ela existe. Mas a família não pensa em voltar para o sertão tão cedo. "Lá não tem emprego. Quando a gente encontra um, é de serviços gerais e ganha pouco. Também precisaria vender tudo e depois não teria como comprar de novo.
O máximo que se ganha naquela região é R$ 100 por mês como doméstica", revelou a trabalhadora.
Para a família, se o serviço do corte da cana acabar, a solução mais viável será mudar de cultura. "Vamos sentir muita falta, mas, se não tiver o serviço da cana, a gente vai ter de trabalhar em outra roça".
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