<p>De longe, o pivô Nenê Hilário, do Denver Nuggets, time norte-americano da NBA, parecia só observar a derrocada do basquete no Brasil. Na última semana, durante férias em sua cidade natal, São Carlos, decidiu abandonar o papel de coadjuvante para ser ator principal. </p>
<p><br />Ele anunciou sua volta à seleção brasileira, após quatro anos (a última participação foi na Copa América, em 2003), e levantou uma bandeira: “Salve o basquete brasileiro” é sua campanha. “Perdemos muita coisa. Precisamos melhorar”.E ele tem razão: o País ficou fora de duas Olimpíadas e terminou na 17ª posição no Mundial do ano passado. Nacionalmente, há desorganização nas competições e o desentendimento entre clubes e entidades representantes.</p>
<p><br />Em sua visita a Franca na última quarta-feira, acompanhou o jogo entre Franca e Uberlândia e reencontrou velhos amigos como Rogério, Helinho e o técnico Hélio Rubens, com quem chegou a ter alguns problemas no passado. Deu autógrafos, falou ao microfone para a torcida presente no Ginásio do Póli e com a imprensa. </p>
<p>“Agora é hora da gente resgatar equipes grandes. Não podemos deixar o talento que nós temos se perder”. Veja os principais da entrevista. </p>
<p><strong>Comércio da Franca - O Brasil não tem, hoje, um campeão nacional. Parte dos clubes discorda da política da Confederação Brasileira de Basquete. Como você avalia a atual situação do esporte no País?<br />Nenê Hilário</strong> - A análise que eu faço é que nós temos de resgatar tudo o que conquistamos no passado. Não podemos deixar isso se perder. Nem os títulos, nem os jogadores e nem o talento que temos. O basquete brasileiro passa por uma fase internacional ruim, mas que pode ser superada. Comércio - Você acompanha os jogos do Campeonato Nacional nos Estados Unidos?<br />Nenê - Eu vejo mais pela internet, mas ainda assim estou ligado ao que acontece no País. </p>
<p><strong>Comércio - O que você acha da atual situação do Franca Basquete?<br />Nenê</strong> - A equipe está de parabéns. Está fazendo um ótimo torneio e é digna de uma semifinal e chegar a uma final. A qualidade do basquete jogado aqui é realmente muito boa. </p>
<p><strong>Comércio - Na sua opinião, como está a qualidade das equipes brasileiras?<br />Nenê</strong> - As equipes estão fazendo o possível. O Franca Basquete sempre foi uma potência do basquete brasileiro, mas esteve, a maioria das vezes, sozinho. Isso não é bom. Agora é hora de resgatarmos o Ribeirão Preto e outras equipes grandes que deixaram os torneios e colocá-los novamente nas competições. Isso para que o nacional se torne uma competição forte, como a que houve em 2000, 2001. Tem muita gente boa fora, a torcida está com saudade disso. </p>
<p><strong>Comércio - E o que fazer para melhorar o esporte no País?<br />Nenê</strong> - Temos de fazer de tudo agora. Perdemos muita coisa, o basquete brasileiro caiu muito, mas agora é o momento de conseguir levantá-lo novamente. Já perdemos tempo demais, mas é possível uma melhora gradual. Basta querer. Não tenho soluções prontas, mas acredito que, com vontade, tudo é mais fácil. Comércio - Já pensou em jogar em Franca?<br />Nenê - Quando comecei, em São Carlos, a época era totalmente diferente. Deus me levou para o Vasco, criou um caminho que eu não pude fugir dele. Mas não é uma coisa que descarto. Muita coisa pode acontecer. Tem bastante jogadores que eu conheço em Franca (Nenê atuou com o francano Helinho, além dos jogadores Rogério, que atualmente está no Franca Basquete, e o ‘ex-francano’ Demétrius) e eles são meus amigos. Mas hoje eu tenho contrato com o Denver Nuggets e não penso em sair da NBA. </p>
<p><strong>Comércio - No Vasco, você foi comandado por Hélio Rubens e houve desentendimentos entre vocês. Como foi conviver com ele?<br />Nenê</strong> - O professor Hélio Rubens é conhecido como um técnico duro, mas os resultados vêm com ele. Eu aprendi muita coisa com ele. Até o George Karl (técnico do Denver Nuggets) tem um estilo parecido ao do Hélio Rubens. É isso, a gente se dá muito bem. Fiquei muito tempo sem vê-lo. Como também aconteceu com os companheiros de equipe (Rogério e Helinho). Agora estamos nos encontrando. Não há problemas entre nós. </p>
<p><strong>Comércio - Compare a torcida que você viu no jogo em Franca com o que você está acostumado na NBA.<br />Nenê</strong> - Na NBA tem muito mais torcedores, mas a energia que eles passam aqui no Brasil é diferente. Lá, o basquete é o futebol deles, é o principal esporte. Ainda assim, o público aqui é mais caloroso. </p>
<p><strong>Comércio - O que você achou da partida da semifinal entre Franca Basquete e Uberlândia? <br />Nenê</strong> - As duas equipes foram muito bem, mas são detalhes que ganham um jogo e Franca mereceu porque soube aproveitar os momentos. (O Franca Basquete venceu a partida por 90 a 84 de Uberlândia, no quinto jogo da semifinal, quarta-feira). </p>
<p><strong>Comércio - Há chance de você participar do Pan-Americano?<br />Nenê -</strong> Não, não. Esse é o momento de me recuperar porque estou com tendinite. Vou descansar e me preparar para o Pré-Olímpico. Mas a seleção faz parte dos meus planos. </p>
<p><strong>Comércio - Como está sua relação com a atual comissão técnica?<br />Nenê</strong> - Agora é vida nova e esquecer tudo o que passou. Como eu costumo dizer, passado é passado. Espero que o que aconteceu, e minha ausência, não interfira nessa nova fase minha na seleção. </p>
<p><strong>Comércio - Você fez alguma exigência para retornar à seleção?<br />Nenê</strong> - A exigência é dar tudo de si. Fazer o melhor para poder conquistar o título e aproveitar o momento. Agora eu quero ajudar a seleção brasileira. Estou preparado e disposto a encarar o desafio de corpo e alma. </p>
<p><strong>Comércio - A realização do Pré-Olímpico em Las Vegas, nos Estados Unidos, facilitou sua presença na seleção?<br />Nenê</strong> - Não estou pensando muito no aspecto de facilitar, mas sim de ajudar. A opção por voltar aconteceria ainda que o Pré fosse realizado em outro lugar. Esse é o momento, penso que é a hora. </p>
<p><strong>Comércio - A presença de jogadores brasileiros na NBA e na Europa mostra uma maior força do basquete brasileiro?<br />Nenê</strong> - Creio que sim. Vivemos um bom momento. Temos jogadores jovens e promissores que estão sendo testados. Agora vamos ver se temos experiência para encarar um desafio grande como o Pré. Que temos talento não há dúvida, mas a experiência pode pesar. Espero que possamos colocar em prática a nossa ousadia e a nossa energia para suprir as deficiências. </p>
<p><strong>Comércio - Que mensagem você deixa para o torcedor de Franca?</strong></p>
<p><strong>Nenê -</strong> Peço desculpa pelo mau momento do basquete brasileiro, mas quero dizer que tudo acontece no tempo de Deus. Agora chegou a hora e vamos partir para cima. No Pré-Olimpico vamos ter adversários como a Argentina, os Estados Unidos, grandes times. É hora da gente conquistar nosso espaço.</p>
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