Conectividade


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Hummm... Ando com uma sensação de pasmaceira, de "ar parado"... Mas uma leitora, a Mara Regina, manda-me um e-mail emocionante que mostra que talvez eu esteja errado. Olha só: "Sou Terapeuta Ocupacional e trabalho com reabilitação desde 1980. Minha luta tem sido pela inclusão escolar. Eu e minhas idéias idealistas, nunca nos apagamos...(mentira!!!!) algumas vezes cansei sim... mas ganhava fôlego e retomava meus projetos. Um deles, nasceu após 15 anos de sonho... Eu queria ter uma brinquedoteca para fornecer material a crianças carentes que atendo. Tentei com lojas, empresários, um patrocínio. Tudo em vão. No final de 2005 tive a idéia de bater de porta em porta pedindo. Mandei e-mail para amigos, falei do projeto na hidroginástica, espalhei cartazes no bairro, virei cara-de-pau e fui pedindo um brinquedo aqui, outro acolá. Ai ai ai ai aiiii... Tô aqui arrepiada! A brinquedoteca aconteceu! Atirei no que vi e acertei no que não vi! Sabe bola de neve? Bom demais pensar que tirei o bumbum da cadeira e cheguei lá. Eu daqui, num trabalho de formiguinha, oriento famílias, sugiro exames de controle periódico e, quando não compreendo algo ou percebo que tem coisa estranha, corro para os médicos do meu convênio, marco consulta.... Me viro, aprendo e repasso para os pais dos bebês que atendo. Quando olho para trás me sinto orgulhosa. Me considero uma boa terapeuta, com uma porção de falhas também, mas sempre procuro dar o meu melhor.... No meu pequeno território tenho lutado, me frustrado, mas sempre dou a volta por cima e sigo... No mínimo engatinhando, jamais me arrastando.". Pois é... Mara Regina, como formiguinha, está mudando a vida das pessoas. Quantas Maras existem pelo Brasil? Milhares! Milhões. Cada uma no seu cantinho, se virando como pode, doando tempo, recursos e vida para transformar o Brasil num país melhor. Mas além das Maras existem milhares de entidades que também fazem acontecer. Em 2006 conduzi um grande evento do Movimento Brasil Competitivo, em Brasília, onde entidades apresentaram suas idéias. Foi fascinante ver tanta gente agitando! Passados alguns dias, palestrei para a ONG "Via de Acesso", em São Paulo, que realiza um trabalho interessante de ligação entre os recém-formados e as empresas onde podem iniciar suas carreiras. Também estive na Endeavor, outra ONG dedicada a fomentar o empreendedorismo inovador. Na AMCHAM, com seu programa de treinees, foi uma festa. E no comitê de jovens executivos da Fiesp, outra festa. Em cada um desses eventos conheci centenas de jovens e não tão jovens, empenhados em agitar, em fazer acontecer, em causar uma diferença na sociedade. Pô, tem um monte de gente fazendo acontecer! Talvez a estranha sensação de pasmaceira, de "ar parado", de imobilismo que estou experimentando, esteja errada. Talvez eu esteja enxergando só o que a mídia mostra: os escândalos dos caras-de-pau e debochados que desviam nosso dinheiro e nada produzem. Com o foco nas lixeiras, estamos esquecendo de olhar pro lado. E diante da imensa quantidade de pessoas e grupos realizando esforços pelo Brasil, a grande palavra do momento talvez não deva ser "inovação". Nem "sustentabilidade". Nem "inclusão social". O tema que deveria estar ocupando a pauta de discussão nacional deveria ser co-ne-cti-vi-da-de. Milhões de pequenos abnegados conectados, fazendo a revolução que interessa. Hummm... Vou escrever mais sobre isso. LUCIANO PIRES é jornalista, escritor, conferencista e cartunista.

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