Sempre que tem prova na Escola Estadual “Evaristo Fabrício”, no Aeroporto II, em Franca, as filhas da dona de casa Eunice Marques Ferreira precisam levar dinheiro para pagar pelas cópias. Segundo a dona de casa, são cobrados R$ 0,50 por disciplina e R$ 2 pelo chamado “simuladão”. A mãe reclamou para a direção da escola e para a Diretoria Regional de Ensino, que prometeram analisar o caso. A cobrança é proibida pela Secretaria Estadual de Educação e, em algumas cidades de São Paulo, tem provocado até o afastamento de diretores.
O caso da “Evaristo Fabrício” não é isolado. A prática também é comum na Escola Estadual “Homero Alves”. De acordo com a coordenadora da escola, Valquiria Melo, são cobrados de R$ 0,10 a R$ 0,20 por folha e R$ 1 pelos simulados. Valquira afirma que a taxa é para pagar pelas cópias das provas. “Não existem ameaças de que os alunos ficarão sem fazer provas. Os pais são informados em reuniões sobre a cobrança e concordam. Se não fosse assim, os alunos precisariam copiar as questões do quadro.
O problema é que muitos são lentos e demoram muito. O simulado, por exemplo, tem até 15 folhas. Como o estudante vai copiar 15 folhas?”.
A diretora da “Evaristo Fabrício”, que se identificou apenas por Terezinha, não quis dar entrevista alegando que o problema já foi resolvido e que não haverá mais cobrança diante da polêmica que se formou. É o que Eunice espera. “Não posso pagar. Tenho duas filhas e quase toda semana elas me pedem dinheiro. No começo do ano dei 400 folhas de sulfite para a escola e agora tenho que pagar essa taxa? Não tenho condições”.
A cobrança também foi constatada em escolas da capital. Em Franca, a reportagem entrou em contato com outras instituições de ensino, como “Torquato Caleiro”, “David Carneiro Ewbank”, “Ângelo Gosuen”, “Maria Pia”. Ninguém quis se manifestar.
O coordenador da Escola Estadual “Doutor José Vicente Machado Neto”, de Pedregulho, Cássio Marcelo Abib, disse não há cobrança de uma taxa específica na escola, mas admite pedir a colaboração dos pais na APM (Associação dos Pais e Mestres). “Quem pode, ajuda no ato da matrícula. Não estipulamos nenhum valor. Isso é de acordo com as condições dos pais. Quanto à cobrança de taxa de prova, sabemos que é proibido e não fazemos”.
O vice-diretor da Escola Estadual “Henrique Lespinasse”, de Itirapuã, José Dalvo do Nascimento, também não concorda. “O aluno pode receber a prova xerocada ou copiar do quadro. Isso depende do professor. O que não pode é existir a cobrança”, disse.
SECRETARIA
A Secretaria de Educação de São Paulo disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a cobrança é proibida e é o Estado quem deve arcar com tais despesas. A entidade já determinou a suspensão da cobrança e fará um pente-fino em todo o Estado para identificar as escolas que insistem na taxa. “É uma questão de adaptação. Agora teremos que dar provas menos extensas para facilitar a cópia e não usar gráficos”, completa a coordenadora da “Homero Alves”, Valquiria Melo.
Colaborou: Ana Carolina Diniz
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