Dois andarilhos que circulavam pelas ruas do Bairro Santa Rita na manhã da última terça-feira, dia 19, negaram que incomodam os moradores e promovem bagunça. Eles disseram que não prejudicam ninguém e não sabiam das queixas envolvendo seus comportamentos. “Estou aqui há seis meses, adoro morar neste bairro. O povo me adora, eu gosto deles e eles de mim, não sabia dessas reclamações não”, disse Edson José Cordeiro, 36.
Aparentemente embriagado, ele ainda admitiu que consome bebidas alcoólicas, mas negou que estas o prejudiquem. “Eu gosto do meu ‘golo’ desde os sete anos de idade. Mas isso não me atrapalha em nada não. Hoje já tomei uns quatro ‘carote’ (garrafa pequena) de cachaça”.
Edson contou que sua família o abandonou e que prefere dormir na rua a ir para o abrigo provisório municipal. “Não gosto do abrigo. O melhor mesmo é ficar na calçada”. Desempregado, ele explicou que consegue comprar bebida só quando alguém lhe dá alguns trocados. “Agora não estou bebendo pois não tenho dinheiro, mas se alguém passar e me der uma moedinha, eu vou lá e compro uma garrafa na hora”.
Seu companheiro de rua, o ex-motorista da Empresa São José, João Batista, 44, também admitiu que gosta de uma cachaça e que não consegue arranjar emprego. “Pedi as contas na empresa há quatro anos e não penso em parar de beber, quero ficar com minhas pingas e fumar o meu cigarro até morrer”.
Ambos disseram não incomodar as pessoas. “Nós pedimos, mas não fazemos nada contra quem não quer ajudar”.
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