Foi dada a largada para a corrida imobiliária que pode ajudar na retomada da produção de uma das mais tradicionais indústrias calçadistas de Franca, a Samello. Depois de quatro meses de anunciado o plano de recuperação da empresa, que prevê a venda de seis imóveis avaliados em R$ 48 milhões, o terreno de 17.376 metros quadrados na Rua Homero Alves (e vai até a Avenida Doutor Hélio Palermo), no Centro, foi o primeiro a ser vendido em uma negociação classificada como “complexa” pelo advogado da empresa, Reginaldo Estephanelli. O imóvel pertencia à MSM Produtos para Calçados, de propriedade da família Sábio de Mello e uma das avalistas da Samello.
O imóvel foi negociado com um dos credores da empresa em recuperação, o empresário José Paulo Fernandes. A Samello devia cerca de R$ 750 mil para o empresário e, para garantir o pagamento dessa dívida, um terreno da empresa na Avenida Reynaldo Chico, no Parque Progresso, de 19.367 metros quadrados, avaliado em R$ 3 milhões de acordo com o plano, estava em posse de Fernandes. Com o objetivo de construir um Centro Comercial em Franca, o empresário “trocou” o imóvel do Progresso pelo do Centro e pagou a hipoteca do novo imóvel ao Banco do Brasil. Segundo os envolvidos, com isso, a dívida da Samello com Fernandes teria sido liquidada.
No entanto, o valor de mercado (e expresso no próprio plano de recuperação) estimado do terreno na Rua Homero Alves é de R$ 6,2 milhões, mais que o dobro do imóvel no Parque Progresso. Segundo fontes ligadas à negociação, o valor bruto da compra foi de R$ 3,2 milhões, incluindo os impostos, a dívida da Samello e a hipoteca. Nenhum dos envolvidos quis citar valores.
Esthephanelli apenas disse que a Samello não teve prejuízo com a negociação. “Os valores dos imóveis que estão no plano de recuperação estão acima do mercado e das propostas que estamos recebendo”.
Apesar do plano prever que a retomada de produção da indústria calçadista seria entre maio e junho, ainda não há data para a Samello voltar à ativa. “Colocamos tudo à venda, até propriedades particulares da família que não estavam no plano de recuperação. A prioridade será usar o dinheiro da venda dos imóveis para pagar a dívida com trabalhadores. Depois vamos pensar na retomada da produção”, disse o advogado da empresa. A dívida com funcionários e ex-funcionários é de quase R$ 9 milhões.
Há duas semanas, o terreno da Rua Homero Alves está em processo de limpeza. As cinco famílias de funcionários e ex-funcionários da Samello que moram no local já começaram a receber notificações para desocupar os imóveis em até 90 dias. Eles pagavam cerca de R$ 200 de aluguel descontados em folha de pagamento.
O proprietário da Samello, Miguel Sábio de Mello, foi procurado pela reportagem do Comércio da Franca no prédio da Samello e em seu celular, mas não foi encontrado para comentar a venda.
A CRISE
A Calçados Samello está em processo de recuperação judicial desde o dia 23 de novembro de 2006. A dívida total da empresa é de aproximadamente R$ 90 milhões. O plano de recuperação foi divulgado aos credores em fevereiro, mas ainda não foi aprovado.
A assembléia com os credores que aconteceria no dia 4 de junho foi adiada para 1º de agosto. Se aprovado o plano, a Samello terá até dezembro de 2008 para vender todos os imóveis listados. Caso contrário, será decretada a falência da empresa.
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