Gays, uma leitura cidadã


| Tempo de leitura: 4 min
O conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano tem por finalidade básica o respeito à sua dignidade por meio de sua proteção, o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana (CF88). Essas prerrogativas do homem podem ser definidas como direitos humanos ou direitos fundamentais. A Carta Magna, ao promulgá-las, fê-lo de maneira abrangente e abstrata, posto que não possibilitam um conceito preciso e sintético de Direitos Humanos. O envolver histórico é que amplia, transforma e atualiza esses direitos, salvaguardando suas características de inalienabilidade, irrenunciabilidade, inviolabilidade, universalidade, contemplando `todos’ os indivíduos. Porém na realidade nesse `todos`, muitos se encontram excluídos pela deficiência, idade, raça, cor, ou mesmo... preferência sexual. No dia 10 de junho aconteceu o 11º Dia do Orgulho Gay, em São Paulo. Esta manifestação pode ser vista sob uma ótica de cidadania e democracia, à medida que nesta oportunidade desempenha um importante papel, na convivência com a diversidade. O slogan da campanha neste ano `Por um mundo sem machismo, racismo e homofobia`, reflete o objetivo da desconstrução do preconceito, este que tem ajudado a perpetuar a discriminação. Esta manifestação dos gays ao redor do mundo visa combater o sentimento de vergonha, sentido por muitos, frente àquilo que a sociedade afirma ser um comportamento também vergonhoso. Homem, a integridade física, moral e social manifestam-se nos princípios da liberdade de ter suas próprias crenças. A violação dos Direitos Humanos indiscutivelmente vem atingir os mais vulneráveis e marginalizados, neste caso, por uma sociedade que não os compreende. Ações como essas que trazem no seu âmago, o apelo incontestável de maior compreensão e tolerância. A homossexualidade é considerada como crime em diversos países até hoje, com punições que vão desde multas até penas de morte, a exemplo de Arábia Saudita, Afeganistão, Iêmen, Irã e Sudão. Existem locais, onde uma pessoa abertamente homossexual, não pode ingressar no serviço militar. Os Estados Unidos da América e a Grécia exemplificam. No caso dos EUA, a permissão para o cumprimento do serviço militar só acontece se for observada a política do "Don`t ask, don`t tell”, ou seja, desde que não manifeste publicamente a sua homossexualidade. Por outro lado, os serviços do exército não podem questionar a pessoa sobre sua orientação. Com certeza, assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o homossexual, tanto o masculino quanto o feminino, também não a escolheram. É o que comprova toda uma literatura. Segundo pesquisas recentes, esta orientação poderá ser determinada por fatores biogenéticos, sejam questões hormonais in útero, ou genes que possam determinar essa predisposição. A bem da verdade, não existe a preocupação de conhecer melhor o assunto, saber o nível ou qualidade de vida, eventuais conflitos, sofrimentos, humilhações e violências a que estão sujeitos, por uma escolha da qual com certeza não tiveram participação. Exageros à parte, a marcha quase perdeu o foco da manifestação. Um Mundo sem machismo, racismo e homofobia! PAUSA PARA O CAFÉ! Foi professor de artes plásticas essa pessoa querida, o amigo sofrido. Foi estrela que iluminou naquela festa memorável em casa dos Monteiro, a noite da minha alma preconceituosa e moralista, dominada por julgamentos. Falou de conflitos e dores. Declarou que certamente pessoa alguma poderia ter no homossexualismo uma opção pelos sofrimentos e humilhações que `este percurso de vida` traria a qualquer um. A falta do amor verdadeiro e da compreensão dos que, se aproveitando das carências afetivas, aproximam-se e depois abandonam; dos que dele zombavam como se fora uma aberração. Uma mágoa sem tamanho dos que o geraram diferente... melhor não ter nascido, murmurara aos prantos. Café com lágrimas, de amargo sabor! NAZISMO! Antes de 1948, o mundo, as nações estavam sofrendo as profundas feridas provocadas pela 2ª. Guerra Mundial (torturas, extermínios dos judeus, ciganos, homossexuais). Essa época foi marcada pela destruição total da pessoa humana. Foram ao todo 18 milhões de pessoas assassinadas. Depois dessa catástrofe, no dia 10 de dezembro de 1948, com a aprovação da Declaração dos Direitos Humanos, se deu um marco muito maior, a reconstrução do real valor da pessoa humana no mundo. A Declaração decreta que os Direitos Humanos são universais e indivisíveis, e que basta ser uma pessoa para se ter direito a ter direito! AS APARÊNCIAS ENGANAM! A origem histórica dos Direitos Humanos encontra-se na Grécia, muito embora se constatem rudimentos no Egito Antigo, na Mesopotâmia e na Índia, foi com os gregos que ganharam status filosófico e foros específicos. Os pré-socráticos viviam na crença radical de que por trás da multiplicidade e mudança incessante das aparências, existe uma realidade oculta e invariável: a phisis, a natureza para os gregos (que não concebiam a idéia do nada) está aí para sempre. OMISSÃO `O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer`. (A.Einstein)

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários