A cultura da pirataria na China


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Deu no New York Times que a prática da pirataria na China não se restringe a eletrônicos e brinquedos, mas afeta também os setores de alimentos e remédios. Na verdade a lista de falsificações inclui rações, leite em pó e até o medicamento Viagra. Embora a poderosa Nike enfrente problemas semelhantes, o jornal americano não fez qualquer referência à pirataria dos tênis. Provavelmente porque os EUA são os maiores consumidores de calçados daquele país. Mas até que ponto a produção de produtos pirateados é um caso isolado na China? As falsificações não são novidades na China. Desde o momento em que as reformas econômicas do país começaram a se estabelecer na década de 80, as empresas bolaram inúmeras maneiras de produzir de tudo, desde peças de carro, calçados, bolsas de marca e cosméticos falsificados, passando por imitações baratas de cabos elétricos e chegando a medicamentos contra a impotência sexual masculina. Em Wudi, no leste do país, algumas empresas tentam economizar na produção inserindo a melanina, uma resina industrial, nos ingredientes de ração para animais como uma fonte barata de proteína, resultando em um dos maiores recalls de rações jamais registrado. Outras cidades chinesas ganharam notoriedade nas últimas duas décadas por serem as primeiras a se especializarem em produtos falsificados, como Wenzhou, que ficou famosa por vender produtos da Procter & Gamble falsificados, e Kaihua, na província de Zhejiang, especializada em lâmpadas Philips piratas. Durante um período, as pessoas até faziam piadas sobre a província inteira de Henan como a capital de produtos falsos ou abaixo do padrão, como remédios capazes de tornar a população miraculosamente mais alta. Em fábricas artesanais em uma pequena vila na periferia de Wudi, os moradores contam que centenas de trabalhadores produzem ração animal adulterada com sobras de peixe e ingredientes baratos que, em seguida, são embalados para venda. O barato sai caro, mas sempre existirá alguém disposto a pagar menos por algum produto ou serviço. ALEXANDRE TABAH é sócio-diretor do Shopping do Calçado de Franca, da Alta Agência de Publicidade e Marketing e presidente da Associação dos moradores dos bairros Recanto Fortuna e Monde Carlo

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