Até agora ninguém conseguiu me explicar o “porquê” das aberrações das nossas leis. Pedi a um senador um exemplar da nossa Constituição Federal para poder – na minha humilde posição de brasileiro e eleitor –, compreender algumas partes obscuras do dia-a-dia. Comecei a ler e tudo acabou ficando ainda mais complicado. Ficou pior o concerto que o soneto. Está escrito lá: todo brasileiro tem direito à saúde, moradia, escola e etc. Se ganho um salário de R$ 380 e, se for só, e tiver que pagar o aluguel de uma ‘maloca ou uma vaga em cortiço’ para cobrir o meu já paupérrimo esqueleto, pagarei por isto uns R$120. Comerei uma “quentinha” por dia, tomarei um “banhozinho” também ao dia.
Se tiver muita sorte e muita saúde, estarei devendo uns R$ 100 para os fornecedores de água e de luz e lenha porque não poderei comprar gás. Se algum senador, vereador, deputado ou governador disser que estou exagerando, faço a seguinte proposta: eu fico só com o dinheiro que eles gastam com uísque que bebem para derrubar a tensão de um dia trabalhoso que possam ter e ele fica com todo o meu salário mensal. Será que topam? Outro ponto que me deixa doido da vida e me dá vontade de xingar é quando o governo me obriga a manter conta corrente para poder receber o meu salário. O problema é que o governo não paga as taxas que o banco me cobra, as tais “taxa de permanência, IOF, imposto sobre operações bancárias”, nomes bonitos para enganar. Salário mínimo é operação bancária?
E por falar em operações bancárias, diz a Constituição Brasileira que por operações bancárias, só pode ser cobrado o máximo de 1% ao mês, ou 12% ao ano. Afora isto a cobrança é crime de usura. É uma brincadeira, verdadeira coisa feia os homens que se dizem representantes do povo contarem por escrito o que deveria ser e não fazerem nada para garantir que a lei seja efetivamente cumprida! Para terminar: acho que eu deveria ser como a maioria dos brasileiros que ficam ouvindo e vendo durante 365 dias do ano os políticos mentindo e sem ficarem vermelhos pelas baboseiras (sic) que falam, sem se importar. Eu deveria continuar sem a Constituição que pedi e sendo um burrinho, não deveria?
Pedro Raphael Sabbato
é leitor do Comércio da Franca
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