Wilson diz que Sidnei sabia de tudo


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O ex-secretário de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, durante o depoimento na CEI dos Bagres na manhã de ontem: “Não sei e nunca indiquei os nomes das três empresas”
O ex-secretário de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, durante o depoimento na CEI dos Bagres na manhã de ontem: “Não sei e nunca indiquei os nomes das três empresas”
Sidnei Rocha (PSDB) sabia de todos os procedimentos envolvendo as licitações para obras de contenção de enchentes no Córrego dos Bagres. A afirmação foi proferida ontem pelo ex-secretário de Planejamento Urbano Wilson Teixeira durante um depoimento de três horas e meia de duração dado à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga a fraude na licitação das obras. Embora Teixeira não deixe claro o grau de conhecimento de Sidnei, a informação contrasta com a versão do prefeito, que afirma ter tomado ciência do processo poucos dias antes de cancelar a licitação, em 19 de março. O ex-secretário disse que nenhuma etapa do processo licitatório foi feita sem o consentimento do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). “O prefeito tinha conhecimento de todo o andamento”, disse. Mesmo procurado insistentemente para se manifestar sobre o caso durante toda a tarde de ontem, incluindo visitas pessoais ao Gabinete, o prefeito não recebeu o Comércio nem retornou os recados. O Ministério Público acusa Teixeira, o ex-chefe da Copel Caetano Perobelli, o engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceshi, a mulher dele, Taísa Franceshi, dona da Betontest, além de um dos sócios da FFC Engenharia, José Eduardo Corrêa, e o engenheiro Virgínio Reis, de participar de um esquema que teria o objetivo de superfaturar as obras de contenção de enchentes do Córrego dos Bagres e desviar R$ 1,2 milhão dos cofres municipais. Visivelmente tenso, Teixeira chegou à Câmara na hora marcada, dez da manhã. Cinco minutos depois, já era interpelado pelos integrantes da CEI, Silas Cuba (PT), Graciela Ambrósio (PDT) e Valter Gomes (PSB). Teixeira também foi acusado por Caetano Perobelli e Virgínio Reis de ser o responsável pela indicação das empresas envolvidas. Ontem, ele negou. “Não sei e nunca indiquei os nomes das três empresas. Se alguém usou meu nome para dizer isso, usou indevidamente”, disse. Teixeira disse ainda que, depois da licitação realizada, não tomou qualquer atitude em relação à escolha da Betontest, mesmo sabendo que sua proprietária, Taísa Franceschi, é mulher de um engenheiro da Prefeitura, Marco Antônio Franceschi, à época seu subordinado. “Eu tinha conhecimento, mas não há nenhuma incompatibilidade moral ou legal, uma vez que essa empresa não participaria da realização da obra”. Ainda assim, foi controverso em vários pontos e admitiu que não levou ao conhecimento de Rocha que Taísa e Marco Antônio são casados. “Disso ele não sabia”, disse. Para o presidente da CEI, Silas Cuba, as declarações de Teixeira deixam evidente que ainda há fatos nebulosos no escândalo. “São muitos pontos contraditórios entre suas respostas e as do Perobelli de do Ananias (secretário de Finanças). Ele dizer que o prefeito tinha conhecimento de tudo também é um ponto que deveremos averiguar com atenção”, disse. Os próximos a depor na CEI serão os engenheiros Alexandre Godói e Alexandre Saia, da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). Suas oitivas serão realizadas na sexta-feira pela manhã. Como o depoimento de Teixeira, ontem, estendeu-se além do esperado, Marco Franceschi teve seu interrogatório adiado para segunda-feira.

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