O mal do século


| Tempo de leitura: 5 min
Está virando sinônimo de fraqueza ser simpático? Parece haver um ódio entalado na garganta humana pelas dificuldades da vida moderna. O mais engraçado é que quando encontramos gente simpática elas até exageram. Quebram a ordem da rabugice. Em grande parte, é uma simpatia forçada, aguçada por necessidade comercial. Poucos têm o prazer da simpatia espontânea. No final de semana, na fila de um supermercado no centro de Franca, presenciei uma discussão entre um senhor e a caixa do estabelecimento que, por muito pouco, não se transformou em briga. Tudo por causa do troco de um centavo. Essa moeda, de valor insignificante, certamente não iria fazer falta àquele senhor bem vestido, independente de entrar no mérito de ter ou não razão em exigir o troco, mas serviu para que ele descarregasse todo o seu mau humor naquela pobre moça, que aos prantos acabou sendo substituída. Chamado de mal do século e classificado como um dos principais vilões da vida moderna, o estresse é cada vez mais freqüente. Atinge todas as camadas da população sem distinção de credo, cor ou faixa etária. É bastante simples entender os motivos dessa epidemia. Cada vez mais as pessoas vão ocupando seu dia somente com tarefas e afazeres e esquecem o lazer, tornando-se, sem perceber, pessimistas e mal-humoradas. O tempo está se reduzindo tanto que nem sempre é possível fazer o que se gosta ou ainda, o pouco que se precisa. Em uma sociedade extremamente capitalista o homem está se tornando cada vez mais o alvo de seus próprios interesses e de suas ambições. Sem perceberem estão se tornando escravos de si mesmo. O mau humor empesteia o mundo. Estão todos de saco cheio exalando amargura pelas ruas da cidade. A sensação é de que viver se tornou um fardo para muitos. A sobrevivência virou um escândalo, trazendo em seu rastro uma espécie de desalento por existir. Para comprovar a ranzinzice dos tempos modernos, basta perceber a escassa utilização das expressões de fineza básica, como ‘obrigado’, ‘com licença’, ‘desculpe-me’, e por aí vai. Um bom teste é nos estabelecimentos comerciais de Franca. São raros os atendentes que ao menos sussurram ‘de nada’ a um vigoroso ‘obrigado’. A maioria não olha na cara de quem está comprando ou pagando. Pessoas mal humoradas, no fundo, são pessimistas, amarguradas, tristes, melancólicas, paranóicas, irritadiças. Em algum ponto do caminho, parou de acreditar na beleza das coisas, nas risadas das pessoas, na sinceridade. Mas, principalmente, passou a não acreditar mais nele mesmo - nas próprias sensações e atitudes, sentimentos e pensamentos. Hoje o mesmo homem que tanto lutou e ainda luta pela modernização da sociedade olha para trás com a vontade de voltar o tempo, de recomeçar, de resgatar o que foi perdido: aquela vidinha pacata de cidade do interior, mansa, mas muito mais prazerosa de se viver, onde o estresse, pessimismo e o mau humor não existiam. ATENDIMENTO HUMANO É necessário convencer os funcionários públicos que estão a serviço do povo que é o povo quem lhes paga. É preciso preparar os que atendem o público para que isso possa ser feito com carinho, dedicação e eficiência. Só assim podemos evitar violência com a ocorrida na manhã de quarta-feira da semana passada no INSS de Franca, quando um paciente atirou um grampeador e chutou um dos profissionais, reclamando ter sido maltratado e por não concordar com o resultado do exame de perícia feito. BAIXA UMIDADE... Depois de muito frio, a temperatura voltou a subir em Franca, mas a umidade do ar continua baixa pela falta de chuva, e isso exige alguns cuidados extras com a saúde, principalmente para quem sofre com doenças respiratórias. Nas unidades de saúde de Franca, o atendimento aumenta em dias muito secos. Os médicos recomendam uma boa hidratação, com líquido, sucos e frutas. Existe ainda a solução caseira, como por exemplo, colocar uma bacia com água no quarto antes de dormir, ou uma toalha molhada na janela. Isso ajuda. CHOPE FRANCANO O velho amigo Reinaldo Dias Pereira, diretor comercial de Bebidas Maniero, está feliz da vida com o recente lançamento em Franca do chope Bratz. Reinaldo me contou que o chope, na versão clara e escura, traz em sua composição o legítimo lúpulo importado da Alemanha, por essa razão é encorpado e com sabor de aroma autêntico. Como não é pasteurizada, a levedura permanece viva, o que a torna rica em vitaminas do complexo B. Na praça, com certeza, mais um produto francano de sucesso. CPFL: POSITIVO Assim que denunciamos nesta coluna a constante queda de energia elétrica em vários bairros de Franca, a CPFL se manifestou e colocou a campo profissionais especializados para tentar a solução desse problema. Medidores de energia foram colocados em pontos estratégicos para a verificação dos horários de picos que as quedas ocorrem e várias residências foram visitadas e seus moradores ouvidos sobre o problema, que ainda existe, mas com a boa vontade demonstrada, poderá ser sanado em breve. Assim esperamos. CTBC: NEGATIVO Destacamos na semana passada os maus serviços prestados pelo seu serviço 0800 da CTBC e nenhuma providência foi tomada até agora. Muito ao contrário da CPFL, que colocou sua assessoria de imprensa em contato com esse colunista, a CTBC demonstra não estar nem um pouco preocupada com os problemas de uma cidade com as dimensões de Franca. Lamentável! RELAXA E GOZA A ministra do Turismo Marta Suplicy, preocupada em evitar a diminuição do número de turistas no país devido ao caos aéreo que vai e volta como um bumerangue enlouquecido, tentou acalmar quem viaja de avião com uma solução caseira e curiosa: “Relaxa e goza, porque depois a gente esquece dos transtornos”. Solução genial ministra. Só falta ela propor que sejam construídos motéis anexos aos aeroportos para que o seu conselho seja seguido ao pé da letra, sem metáfora.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários