Fábrica de sapatos pára, dispensa 50 funcionários e não paga


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Parte de funcionários dispensados de fábrica no Distrito Industrial foi até a empresa ontem tentar receber salários em atraso. Sem sucesso, prometeram acampar em frente à empresa
Parte de funcionários dispensados de fábrica no Distrito Industrial foi até a empresa ontem tentar receber salários em atraso. Sem sucesso, prometeram acampar em frente à empresa
Dois meses sem pagamento, dispensados do emprego e sem previsão de data para receber as verbas rescisórias. Essa é a situação de cerca de 50 funcionários da Indústria de Calçados La Luna, localizada no Distrito Industrial. A empresa parou sua produção no dia 14 de junho e se comprometeu a pagar os salários em atraso na tarde de ontem, mas, ao chegarem à fábrica, os funcionários foram surpreendidos com a informação de que o pagamento não seria feito. Irritados, acionaram o Sindicato dos Sapateiros e protestaram. Agora prometem montar acampamento no local e só sair quando tiverem uma resposta da empresa. Procurada para comentar o caso na sede da fábrica, a direção da La Luna não quis se manifestar. O único a atender ao Comércio foi um homem de nome Jair, que se identificou como gerente financeiro. Ele disse que não há previsão para que os pagamentos sejam feitos, mas afirmou que o dono da fábrica se comprometeu a procurar o sindicato em dois dias e propor um acordo. Os funcionários, porém, estão temerosos. “Tive amigos demitidos da La Luna no ano passado e, até hoje, não receberam um centavo. Será que nós vamos receber?”, disse um funcionário que preferiu não se identificar. De acordo com os trabalhadores que estavam na frente da sede ontem, a empresa vem atrasando pagamentos há quase um ano. Nos últimos dois meses, não os fez. As 40 horas de participação dos lucros e resultados também não foram pagas. Os cerca de 50 funcionários dizem ter sido dispensados dos serviços no dia 14. O pespontador Jerry Adriani Campos, 30, é um deles. “Não sei o que fazer. Tenho filha, aluguel para pagar e estou sem condições até de procurar outra coisa para fazer porque nossa carteira está com eles. Não temos a certeza se vamos ou não receber os diretos”. Temendo que a empresa feche as portas e abandone o local levando os maquinários, parte dos trabalhadores e a diretoria do Sindicato dos Sapateiros resolveram montar acampamento no local. “Vamos ficar aqui de prontidão. Já vimos muitas empresas fecharem na madrugada e levarem as máquinas, deixando os funcionários sem receber”, disse Pedro Nogueira, diretor do sindicato, acrescentando que o jurídico da entidade está trabalhando no caso. “Precisamos saber quando e como farão o pagamento”. O gerente financeiro afirmou que a empresa “está passando por dificuldades, mas que não deixará os funcionários sem receber”. Segundo ele, a La Luna iniciou suas atividades em Franca há pouco mais de dois anos e produzia de 300 a 500 pares de calçados femininos por dia.

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