Meio de sobrevivência de Dorival Euzébio, 70, e sua família, o material reciclável que ele separa em sua casa para venda é motivo de reclamações de vizinhos há mais de cinco anos. Na Rua Anésio Rocha, 1332, Jardim Portinari, numa pequena casa de um cômodo na parte de baixo e dois no andar de cima, que são alugados para ajudar na renda, Euzébio organiza os papelões, latas e garrafas pets que recolhe pelas ruas da cidade, com dois carrinhos, para vender.
O vizinho JAA, 21, reclamou que o entulho acumulado por Euzébio faz com que apareçam ratos constantemente em sua casa. “Rato pequeno sempre aparece, mas na terça-feira à noite apareceu um muito grande em casa, que deixou minha mãe assustada. Ela até passou mal. A gente fica com dó, não gosto disso, mas ele guarda muito lixo na casa dele”.
Euzébio mora com o genro Édimo Geraldo da Cruz, 35, a filha Vanessa Luzia Euzébio, 20, e a neta, de um ano e 11 meses, Ana Beatriz Euzébio da Cruz. Apenas com o benefício de um salário mínimo que recebe do INSS, não pode sustentar a família e nem ajudar no tratamento da neta, que é cega desde o nascimento e faz acompanhamento com neurologista. O que consegue vendendo latas, papelões e garrafa, cerca de R$ 400 por mês, Euzébio ajuda a pequena Beatriz.
Ele disse que até gostaria de trabalhar com outra coisa, mas que pela idade é muito difícil conseguir emprego. “Faz uns dez anos que eu recolho lixo para reciclar. Eu preciso desse dinheiro para sobreviver e, nesses últimos tempos, preciso mais ainda para ajudar minha neta. Meu único sonho é não deixar minha neta passar fome, eu me preocupo mais é com ela”.
Outros moradores do quarteirão defendem Euzébio e dizem que o material arrecadado por ele não incomoda. “É o ganha-pão dele, é um trabalho honesto. Eu moro aqui há 20 anos e é muito difícil aparecer rato em casa. E não acho que venha da casa dele”, disse a vizinha Alice Ramos da Rocha, 71. Aparecida Ercília Ferreira, 73, mora no mesmo quarteirão de Euzébio e também defendeu o catador. “Ele é um homem trabalhador e não incomoda ninguém”.
A filha de Euzébio disse que os vizinhos implicam com a atividade do pai. “Não sei por que reclamam, meu pai é um homem trabalhador e me ajuda a sustentar minha filha. Eu não posso trabalhar porque ela não fica sozinha e nem com outra pessoa, ela é muito nervosa, toma remédios e faz tratamento e não aceita ficar com mais ninguém”.
O genro de Euzébio não se incomoda em acompanhar a atividade do sogro e nem com a implicância dos vizinhos. “O importante é ter saúde, ter o que comer e beber”. Os dois recolhem cerca de 20 quilos de papelão e 15 quilos de alumínio por dia.
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