Psicologia, artes cênicas, fisioterapia, pedagogia, filosofia ou tradução e intérprete. A dúvida parece muito absurda? Mas é o conflito de Fagner Robert Ramos da Cruz, 19, estudante do primeiro ano de Psicologia e de muitos outros jovens que se deparam com uma das decisões mais difíceis da vida: que profissão escolher?
Incertezas em relação a sua própria personalidade, dúvidas sobre o caminho a ser seguido e as pressões exercidas por pais, amigos e pela escola fazem deste um período difícil. E é bem nessa época, final de adolescência, que o jovem é obrigado a decidir o que vai fazer por, pelo menos, 70.400 horas nos próximos 40 anos. O resultado é o desespero que atrapalha ainda mais a escolha e a grande procura por grupos de orientação vocacional, comandados por psicólogos.
Cruz faz orientação pela segunda vez na Unifran (Universidade de Franca). A única certeza é que a sua área é de humanidades. No primeiro teste, o resultado foi um empate entre psicologia e educação física. E mesmo freqüentando aulas de um dos cursos de sua preferência, ele ainda não está certo da escolha. “Eu estou gostando da faculdade de psicologia, mas sou muito novo, queria experimentar outras coisas que eu também gosto”.
A psicóloga Márcia Ricci Maia, que comanda o grupo de orientação, dá um exemplo, que todo adolescente entende, para explicar o caso de Cruz. “Tem gente que não consegue namorar por medo de perder as outras pessoas. Quem tem medo de escolher a profissão, normalmente também tem medo de casar”.
Outra questão que pode contribuir para aumentar a dúvida dos jovens é gostar de fazer muitas coisas. “Tem pessoas que são muito ricas em habilidades. Qualquer coisa que gosta acha que tem que trabalhar nisso, mas não é bem assim. É preciso ter segurança para escolher uma coisa só, tem coisa que pode ser feita só como lazer e não como profissão”.
Com 20 pessoas de todas as idades, desde 16 até 50 anos, o grupo que Márcia orienta se reúne por uma hora e meia, uma vez por semana. O trabalho dura um mês e, se não ajuda o indeciso a escolher exatamente o curso, pelo menos pela área ele terá condições de optar. “Escolher implica perdas e ganhos, quanto mais a pessoa tem dificuldade em perder mais difícil fica a escolha”.
A psicóloga conta que a orientação trabalha com a segurança, motivação e projeto de vida. “Além da indecisão comum nessa época, os adolescentes ainda têm que lidar com a influência da família e do mercado de trabalho, se é bem remunerado ou não. É muita coisa para dar palpite”.
Quem tem em casa um pai que quer um filho advogado e uma mãe que quer um médico, sabe bem como é essa pressão da família. Richard de Paula Moreira, 17, está no 3º colegial, sempre gostou de história e quer ser professor universitário. Mas a vontade dos pais está pesando. “Eu estou fazendo a orientação só para confirmar e mostrar para meus pais que não tenho muitas dúvidas.
Já pensei em fazer letras e tradução e intérprete, mas quero fazer pós em arqueologia”.
O pai de Moreira está aposentado por invalidez e era frentista, a mãe é administradora. “Os pais costumam ter medo de morrer e deixar os filhos sem nada. Por insegurança, eles os pressionam para que sigam alguma carreira que dê dinheiro”, comenta Márcia.
Há também os casos da profissão dos sonhos que se contrasta com a realidade. Maxilene Vieira, 18, terminou o 3º colegial no ano passado e faz curso de administração, mas sempre quis fazer turismo. Agora, após entrar no grupo, já pensa em publicidade. “Eu não prestei turismo porque eu queria ter um tempo para ver se era isso mesmo que eu queria. Estou gostando de administração, mas comecei a pesquisar mais e gostei de publicidade”.
SERVIÇOS
A Unifran oferece gratuitamente curso de orientação vocacional. Mais informações pelo telefone (16) 3711-8775, com Márcia.
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