Franca viveu um dia de Rio de Janeiro ontem à tarde. Assaltos, tiros e balas perdidas assustaram a população e agitaram a polícia. Tudo isso, às 15 horas em pleno Centro. Dois irmãos reagiram a um assalto e foram agredidos pelos criminosos, sendo um deles baleado. Testemunhas afirmam ter ouvido pelo menos oito disparos. Enquanto as vítimas eram socorridas, os ladrões fugiam levando R$ 7 mil, talões de cheques e documentos. A movimentação de pedestres e motoristas era intensa no horário.
O tiroteio aconteceu no cruzamento das Ruas Voluntários da Franca e Estêvão Leão Bourroul, a poucos metros da Santa Casa. O bancário aposentado Francisco Antônio Enciso, 57, e o irmão dele, Leonildo Enciso Mendes, 67, deixavam um escritório de contabilidade situado em um prédio da Voluntários em direção a um Corola, estacionado nas proximidades. Levavam uma pasta com os valores.
Tão logo pisaram na calçada, foram rendidos por dois bandidos armados. As vítimas relutaram em entregar o dinheiro e provocaram forte reação dos ladrões. Francisco foi baleado no braço esquerdo e na barriga. Ao tentar sair correndo atrás dos indivíduos, levou outro tiro, desta vez na perna. Já Leonildo também foi atingido, mas por uma coronhada na cabeça.
Os irmãos foram levados para a Santa Casa e medicados. Eles não correm risco de morte. Leonildo foi liberado no começo da noite.
Após abrir passagem à bala, os criminosos montaram em uma moto escura e desapareceram. A polícia bloqueou o tráfego de veículos no cruzamento e fez buscas pelas proximidades. Nenhum suspeito foi detido. A movimentação atraiu grande número de curiosos. “O que aconteceu?” “Mataram alguém”, eram as perguntas mais freqüentes.
Ninguém morreu, mas foi por pouco. Quem estava por perto na hora do roubo conta que foram momentos de susto e medo. “A coisa foi feia mesmo. Ouvi pelo menos oito estampidos”, contou uma testemunha. Peritos da Polícia Científica recolheram cinco cápsulas deflagradas nas proximidades. Uma delas foi encontrada numa casa em construção do outro lado da rua, a cerca de 20 metros. Vários pedreiros estavam trabalhando no local. Os disparos teriam sido efetuados por uma pistola 380.
Segundo o tenente Frata, da Polícia Militar, foi um erro as vítimas terem reagido ao assalto. A “saraivada” de balas poderia ter atingido não só os irmãos, como aconteceu, mas, também, acertar transeuntes. “Reação, nunca, pois os meliantes, na maioria das vezes, estão mais nervosos do que as vítimas. É preferível deixar levar o bem material do que parar no hospital ou no cemitério”.
A ocorrência é investigada pelos policiais do 1º DP e da DIG. Segundo o delegado Djalma Batista, a polícia está averiguando alguns suspeitos.
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