Superação e muita garra. Foi com esse espírito que mais de 2,1 mil atletas com 60 anos ou mais, oriundos de 51 municípios da região nordeste do Estado de São Paulo, disputaram, entre quinta-feira, 14, e domingo, 18, a XI edição do Jori (Jogos Regionais do Idoso), em Ribeirão Preto. Em nenhum outro evento foi tão forte a máxima “o importante é competir”. A aposentada Marlene Geron, explicou o sentido dos jogos. “Antes de pensar em vencer, nossa intenção é confraternizar com o pessoal das outras cidades.
Afinal, uma amizade conquistada vale mais do que qualquer medalha, seja ela de ouro, prata ou bronze”. Exemplos não faltaram. Após sofrer uma queda na largada em uma prova de atletismo, a aposentada ituveravense Aparecida Guedes de Oliveira, 70, se levantou com a ajuda de outros competidores e completou a prova. “Não me importo em chegar em primeiro ou último lugar. Chegar à minha idade com saúde e vivendo bem já é uma vitória para mim”, afirmou Aparecida, mostrando com orgulho a medalha que recebeu ao cruzar a linha de chegada.
Nem mesmo um braço quebrado impediu Lázaro da Costa Ferreira, 72, de correr os mil metros rasos. O atleta sofreu um acidente automobilístico há pouco mais de um mês. “Achei que não poderia competir, mas meu médico autorizou e aqui estou firme e forte”, declarou.
Para a delegação francana, composta por 61 pessoas, o Jori já começou emocionante. Ao desembarcarem na Escola “Ana dos Santos Gabarra”, quinta-feira, os “atletas” foram recebidos com uma apresentação musical organizada por alunos do colégio, com idades entre 2 e 6 anos. “Quando chegamos, as crianças vieram correndo nos abraçar, e cantaram e dançaram conosco. Nunca vou me esquecer daqueles momentos”, disse a aposentada Francisca Costa Fantaucci.
O clima amigável estendeu-se às praças esportivas, onde a apresentação das equipes antes das disputas ocorrria não ao som de vaias, mas debaixo de aplausos, abraços e até mesmo gritos de incentivo. Renata Haddad, chefe da delegação francana nos jogos, explica que todos os atletas presentes na competição já são verdadeiros vencedores. “Muitos que aqui vieram superaram doenças, perdas de marido, mulher, entes queridos e agora nos dão um grande exemplo de vida. Mesmo sem chegar em primeiro, já são campeões”, afirmou a dirigente.
Haddad ainda esclarece ser a paquera algo presente entre os atletas nestes dias. “Muitos são viúvos e por força da idade ficam sozinhos, sem um companheiro. O flerte entre alguns deles é normal, afinal todos são filhos de Deus e têm o direito de ser feliz”, disse. Tudo com a certeza de que imprevistos não interromperão o evento. Em todos os locais de provas foi montado um grande aparato para garantir socorro imediato aos atletas em caso de emergências. Ambulâncias equipadas com UTIs, médicos e enfermeiros acompanhavam as competições. “Para participar do Jori, os atletas tiveram que apresentar atestado médico comprovando que tinham condições físicas para a prática esportiva. Se não cumprissem este procedimento, não poderiam competir”, afirmou Renata Haddad, chefe da delegação francana.
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