As mudanças demográficas


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Há várias maneiras de analisar e interpretar as mudanças que estão ocorrendo no mundo. Existem discussões sociológicas, antropológicas, as mudanças com a matriz energética, a visão geopolítica. Infelizmente, o País ainda é prisioneiro das análises curtas e imediatistas do mercado. “Investment grade”, abertura financeira, análise de fluxos de comércio. A Brazil CFA Society é filial de uma ONG americana que nasceu após o crack de 1929 na Bolsa de Valores. Visa educar analistas para o mercado. Em recente encontro em São Paulo, convidou como palestrante o demógrafo americano Richard F. Hosenson, que trouxe uma visão nova sobre o futuro da economia mundial, à luz dos fenômenos demográficos que estão ocorrendo. Sua constatação é de que, pela primeira vez na História, o planeta está envelhecendo - isto é, a quantidade de crianças que nasce é inferior à dos velhos. Entre 2000 e 2010 a quantidade de crianças de 0 a 9 anos decrescerá cerca de 3%; entre 10 e 19 anos, cerca de 18%. Na outra ponta, aumentará em 25% a população de adultos com 50 a 59 anos; e em 12% a de adultos com mais de 80 anos. É um processo ainda desigual. O Japão envelhece muito mais rapidamente que a China. Em 1990 os velhos representavam 12% e os jovens, 18% da população. Até 2050, os velhos representarão 35% e os jovens 12%. A alternativa para suprir a falta de mão-de-obra foi um investimento maciço em robôs. Em breve - prevê ele - a China começará a sofrer falta de mão-de-obra. Antes da Revolução Cultural, eram seis crianças por mãe; agora, é apenas uma. Obviamente, ainda existe um enorme contingente de população a ser incorporada ao mercado de trabalho. O que compromete um pouco sua análise Em sua avaliação, o envelhecimento da China está ultrapassando o dos EUA. O fato de se ter 100 milhões de trabalhadores para 1,3 bilhão de habitantes cria um passivo previdenciário explosivo. Prevê ele que os aposentados não terão como cuidar de si próprios, já que o estoque de ativos dos fundos de pensão chineses equivalem a menos de US$ 100,00 / ano per capita. Com o aumento do custo do salário na China, a mão-de-obra já está migrando para o Vietnã e países vizinhos. No Brasil está ocorrendo um fenômeno que ele chama de “envelhecimento sutil”. A taxa de natalidade vem caindo, mas apenas em 2050 haverá um afunilamento da pirâmide. Portanto, o País tem tempo para resolver a questão da Previdência. Hosenson critica a visão da imprensa de focalizar apenas a inflação em suas análises. É o emprego que determina o PIB diz ele Além disso, nos últimos anos as uniões familiares se estabilizaram. As pessoas estão se separando menos e, com isso, planejando seus gastos no longo prazo. E os EUA têm uma taxa de fertilidade similar à dos países emergentes. Nos EUA, a economia tem sido turbinada por jovens entre 20 e 25 anos, entrando no mercado de trabalho e adquirindo seus primeiros bens, montando sua primeira casa. A partir dali, os investimentos familiares serão marginais. DÓLAR O dólar comercial desceu ontem ao piso de R$ 1,90, apontado como o novo ponto de resistência para o câmbio no Brasil. Uma vez rompido esse piso, acredita o mercado, a moeda poderia desabar para a faixa de R$ 1,85 - exatamente como aconteceu quando quebrou as resistências anteriores, de R$ 2,00 e de R$ 1,95. A expectativa é que possa ocorrer hoje, dependendo do humor externo. Mais uma vez o Banco Central comprou dólares à vista e conseguiu elevar a taxa para fechar a R$ 1,907, menor valor desde o dia 1º de junho. Já o risco-país brasileiro desceu ontem a 138 pontos, menor patamar da história. A baixa seguiu o recuo no juro dos títulos do Tesouro dos EUA, que aliviou a pressão nos mercados internacionais. Os papéis de dez anos tiveram retorno de 5,142%, com baixa de 0,56%. BOLÍVIA Para atender ao aumento da demanda de gás do centro-sul do Brasil, a Bolívia reduziu em mais da metade o fornecimento do combustível à termelétrica Governador Mário Covas, em Cuiabá (MT), obrigando a usina a parar de funcionar desde o último sábado. Alegando oficialmente problemas técnicos em uma bomba na base de Rio Grande, na Bolívia, a YPFB, estatal boliviana do setor petrolífero, diminuiu o envio do combustível à termelétrica na última sexta. De 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, passou para 600 mil metros cúbicos. Essa quantidade é menos do que a usina gasta para entrar em funcionamento (750 mil metros cúbicos). A redução foi necessária por causa do aumento da demanda solicitada pelo contrato de compra e venda com a Petrobras, considerado prioritário pela legislação boliviana em relação a Cuiabá. De uma média de 26 milhões de metros cúbicos/dia, a empresa brasileira, que abastece o centro-sul do Brasil, passou a importar 28,5 milhões de metros cúbicos diários, provocando o desvio de parte do gás que ia a Cuiabá. Sem investimentos desde 2003 devido à instabilidade política e às mudanças na legislação do setor, a produção boliviana não acompanhou o aumento da demanda dos três mercados que abastece: o interno, o Brasil e a Argentina. Recentemente, a Argentina, que enfrenta crescente crise energética, solicitou à Bolívia o envio diário de 7,5 milhões de metros cúbicos, mas a Bolívia só se comprometeu com 4,6 milhões.

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