Sem materiais e com os salários atrasados, obras do Senai param


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Carpinteiro, Daniel Lemos da Silva é visto sentado ao lado da obra do Senai: sem salário e sem material para trabalhar
Carpinteiro, Daniel Lemos da Silva é visto sentado ao lado da obra do Senai: sem salário e sem material para trabalhar
Sem o pagamento dos salários e sem materiais para a continuidade das obras, os 28 funcionários do Centro de Tecnologia e Design do Calçado do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) cruzaram os braços ontem. Contratados pela Segmento Construtora para erguer o prédio, os trabalhadores afirmam que a empresa não cumpriu um acordo de pagamento que ela mesma havia proposto a eles. O eletricista Milton César Martins diz que o salário venceu no último dia 8, quando a empresa pagou um vale de R$ 150. “No dia 15, seria o pagamento do restante, o que não aconteceu. Foi dado um outro vale no valor de R$ 100”. O carpinteiro Daniel Lemos da Silva não aceitou o vale. Para ele, o pagamento de apenas parte do rendimento soa como uma tentativa da empresa em contornar a situação. “Vejo o adiantamento como suborno. Eu não aceito suborno. Quero é meu salário.” Os salários médios dos trabalhadores da obra variam entre R$ 620 e R$ 710, fora as horas extras. Apesar disso, os funcionários ressaltam que a paralisação não é apenas por causa do não recebimento. Além do salário, falta material de trabalho. Cimento, objetos de carpintaria, ferragens, pedras, caibros e madeirite são alguns dos materiais que faltam para o andamento do projeto. O sócio-diretor da construtora, Celso Guimarães, disse que tentará resolver o problema até o final desta semana. Ele explica que as obras estão paralisadas devido a um pedido adicional de 150 dias para a conclusão das obras do Senai, pedido este ainda não atendido. “Como no último mês a obra não andou, tendo em vista essas indefinições (do pedido de aumento do prazo de entrega), nós não faturamos. A gente acabou não conseguindo recursos na própria obra para pagar os funcionários” -mensalmente, um fiscal do Senai visita a obra e só libera os pagamentos para a construtora se o cronograma estiver sendo cumprido em dia. Sobre a falta de material, ele explica. “Nós adotamos uma medida de cautela, trabalhamos na obra de tal forma que não consumisse muito material, abrindo valas, executando serviços que empregam mais mão-de-obra, para não dar um custo muito alto.” Além disso, por não ter seguido o cronograma, a Segmento Construtora foi obrigada a pagar uma multa há aproximadamente um mês, cujo valor não foi revelado pelo sócio-diretor. Segundo Celso, teria sido acertado verbalmente com o superintendente do Senai o prolongamento do prazo e que a empresa aguarda agora os trâmites legais. Com o aditivo, a obra seria concluída até novembro, de acordo com informações de sócio-diretor. O diretor da unidade francana do Senai, Celso Taborda, disse que tem acompanhado o caso, mas aguarda a negociação da construtora com o departamento jurídico da instituição. A reportagem do Comércio da Franca entrou em contato quatro vezes com a assessoria de imprensa do Senai, em São Paulo, mas o responsável pelo departamento jurídico não foi encontrado para comentar a afirmação. Com custo estimado em R$ 12 milhões, o Centro de Tecnologia e Design do Calçado está sendo construído ao lado do prédio principal do Senai e será voltado para a formação de profissionais na área de criação e design para calçados e acessórios. Com sua conclusão, a capacidade da escola passará dos atuais 2,2 mil estudantes para mais de 3 mil.

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