O governo federal anunciou na semana passada a venda de dinheiro mais barato para exportadores de calçados compensarem a desvalorização do dólar frente ao real, além de ressarci-los a curto prazo de dois impostos embutidos na compra de máquinas e equipamentos.
A medida frustrou o setor, que esperava desoneração do custo de produção para recuperar ao menos parte da competitividade perdida no mercado internacional.
Os exportadores que faturam até R$ 300 milhões por ano terão crédito de R$ 3 bilhões. São três linhas, com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social): para capital de giro, investimentos e vendas externas. Os juros variam de 8,5% a 7% ao ano, podendo ser reduzidos para 6,8% a 5,6% no caso de adimplência dos tomadores. As empresas também poderão utilizar de imediato os créditos de PIS e Cofins obtidos na compra de máquinas e equipamentos.
Com essa oferta, o Planalto apenas reconhece o óbvio: que os juros bancários e a montanha dos impostos cobrados nesse país inviabilizam qualquer produção legalizada. As taxas dos financiamentos liberados são menores que dos agiotas. Porém, ainda correspondem ao dobro do que pagam os chineses e outros concorrentes do calçado brasileiro no exterior. E mais: quem está com capacidade instalada ociosa não investe em máquinas para produzir - é piada -, não precisa desse crédito.
Para a Abicalçados, associação nacional dos calçadistas, as medidas, na sua maioria, destinam-se a reduzir custos dos investimentos e seriam úteis se o setor atravessasse um período de aquecimento nas vendas ou que necessitasse de atualização tecnológica. ‘Infelizmente - assinala a entidade -, passamos por um momento dramático, com a perda das exportações, imposta pelo câmbio, e o desemprego crescente.’ As vendas internas também caem, com a concorrência desleal dos chineses. As importações da China aumentaram 60% apenas de janeiro até abril, comparadas às do mesmo período do ano passado.
A Abicalçados afirma ainda que em junho do ano passado o governo federal criou o Programa de Giro Setorial, para fornecer crédito aos exportadores e lhes dar tempo até que a cotação do dólar (R$ 2,25) aumentasse. Hoje, quem se financiou no Programa encontra-se na desoladora situação de vender suas cambiais à taxa de R$ 1,95 e a ter de pagar o empréstimo com juros ao redor de 10%.
Enfim, as medidas são remendos. A solução para a indústria calçadista ressuscitar seu desempenho do passado nas exportações depende de outras ações governamentais. Sem desonerações tributárias, por exemplo, com o setor oferecendo alguma contrapartida (aumento de emprego ou das vendas externas), ele ficará séculos apoiado apenas na valorização cambial para atuar fora do País.
Essas ações mais abrangentes implicam implementação pelo governo federal de uma política industrial dirigida à cadeia produtora de calçados, plenamente justificável por serem essas indústrias altamente empregadoras. Mas o Planalto não se mexe nessa direção. Está muito ocupado em rebater as freqüentes denúncias de corrupção.
DEBANDADA
São Paulo Alpargatas, Azaléia, Vulcabrás e Paquetá são algumas das grandes indústrias de calçados nacionais que transferiram parte de sua produção para a China e a Argentina, motivadas pelos custos menores. A West Coast também emigrará. A empresa produz 2,4 milhões de pares anualmente e pretende fabricar 30% desse total ou na China ou na Guatemala ou na Argentina. Provavelmente optará pelo país vizinho, porque a carga tributária argentina corresponde a 21% do PIB, contra 40% no Brasil.
A debandada não se restringe a calçadistas pesos pesados, nela já se incluem fornecedores. É o caso das Fôrmas Kunz, com matriz em Novo Hamburgo e filial em Franca, que já fechou duas fábricas e a partir do próximo mês passará a produzir mil pares diários de fôrmas na Índia.
A nova fábrica, construída na cidade de Chennai, com investimentos de 2,5 milhões de dólares, exportará para a China, Paquistão e norte da África.
RECOMENDAÇÃO
O uso excessivo de sapato de salto alto e pontiagudo pode causar varizes. Na planta do pé há um tecido semelhante a uma esponja, que é comprimido no caminhar; no movimento de flexão e extensão auxilia a volta do sangue ao coração, explicam os ortopedistas.
O salto muito alto muda a conformação dos pés, dificulta o retorno do sangue, o que favorece o aparecimento das varizes.
Os médicos recomendam o uso alternado do salto alto com o baixo (de no máximo 3 a 4 centímetros de altura) e tênis. O salto alto também aumenta a curva da lordose, provocando dores na coluna.
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