Ordem veio do Gabinete, diz Perobelli


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Caetano Perobelli, ex-presidente da Copel: artilharia pesada contra imprensa e promotoria
Caetano Perobelli, ex-presidente da Copel: artilharia pesada contra imprensa e promotoria
Partiu do gabinete do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) a ordem para que fosse publicada, mesmo sem a documentação necessária, a licitação para contratar a empresa que faria obras de combate às enchentes no Córrego dos Bagres. Essa é a síntese das quase três horas de depoimento de Caetano Perobelli, ex-presidente da Copel (Co-missão Permanente de Licitação), à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga irregularidades nas obras do Córrego Bagres. Na ocasião, as obras fo-ram orçadas em R$ 4,2 milhões, valor R$ 1,2 milhão, a mais segundo o Ministério Público, do que o custo real. Perobelli afirma que recebeu as ordens diretamente de Paschoal, braço direito do prefeito. “A publicação foi feita antes do processo ser concluído porque eu recebi ordens do Paschoal, que disse estar cumprindo ordens do prefeito. Eu ainda alertei o chefe do Gabinete sobre os riscos, mas a ordem foi prosseguir”. Segundo ele, faltavam alguns documentos, entre eles o estudo de impacto ambiental da obra. Além disso, não havia dotação orçamentária para a realização da construção, o que motivou o encaminha-mento do processo de volta ao Gabiinete. “Depois disso, eu nunca mais vi essa licitação, foi tudo feito pelo Gabinete e pela Secretaria de Finanças. Os documentos nunca mais voltaram para minhas mãos”. Embora admita problemas na licitação, Perobelli insiste que não houve nenhuma irregularidade que impedisse a contratação das empresas e que ele foi vítima de um jogo político. “É uma acusação feita em cima de suposições, como estamos perto da campanha eleitoral alguém por de trás de tudo isso deve ter interesse que eu não consigo identificar e que não é dinheiro”, disse. MAIS UM Também foi ouvido ontem pela CEI Sérgio Gerbasi, funcionário público vinculado à Divisão de Licitação e Compras. Como Perobelli, ele reconheceu, em seu depoimento, que houve “erros formais” na licitação, mas que eles não comprometeriam a legalidade do processo. “Faltou a homologação da Secretaria de Planejamento e o parecer jurídico. Não é de praxe continuar o processo sem essa documentação, mas foi o que aconteceu”. A CEI deve ouvir, na quarta-feira, às 9 horas, os engenheiros Élder Damião e Marco Franceschi, da Secretaria de Planejamento e Obras, e o ex-secretário da pasta Wilson Teixeira. Na sexta-feira, no mesmo horário, serão chamados os engenheiros da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) que fizeram o novo projeto da obra, Alexandre Godói e Alexandre Saia.

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