Por que será?


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Em recente discurso no alto de um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil, o presidente Lula disse que o brasileiro fala mal do seu País e que não se vê por aí, por exemplo, ‘suíço falando mal da Suíça’. A declaração me deixou com a pulga atrás da orelha. Afinal, por que será que os suíços não falam mal da Suíça? A Suíça está situada na Europa, tem uma superfície de 39,7 mil km² e população de pouco mais de 7,3 milhões de habitantes. Faz fronteiras com a França, Alemanha, Itália, Áustria e Liechtenstein. A capital é Berna e as línguas oficiais são alemão, francês, italiano e romanche. A Suíça é uma importante potência industrial. As indústrias têxteis e alimentícias, a relojoaria e o artesanato de madeira são tradicionais no país. Mas, graças à energia hidroelétrica, favorecida pelo relevo, ao capital e a uma mão-de-obra hábil (leia-se educada, qualificada), puderam desenvolver-se a metalurgia de transformação e a indústria química. A Suíça subiu, em 2007, dois pontos na lista das 55 economias mais competitivas, principalmente devido o dinamismo das empresas exportadoras (ou seja, indústrias do mesmo tipo da nossa calçadista). Agora está em 6º lugar, atrás dos Estados Unidos, Cingapura, Hong-Kong, Luxemburgo e Dinamarca, na classificação do instituto suíço IMD. Já o Brasil perdeu cinco pontos e está em 49º lugar, bem atrás. A Suíça mais se destaca no balanço de contas correntes (2º lugar). Ocupa também o 4º lugar em taxa de emprego (ou seja, desemprego em baixa), inflação e fluxo de investimentos diretos no estrangeiro. O país está entre os mais que mais reduziram a diferença com os Estados Unidos nos últimos anos. No total, 40 países progrediram ou mantiveram competitividade frente ao número “um” do mundo. Entre os quinze que regrediram em relação aos Estados Unidos, está o Brasil (nós, aqui). A taxa de desemprego continua caindo na Suíça. Em junho, atingiu amédia nacional de 3,1%, taxa mais baixa desde novembro de 2002. As condições de segurança daquele país são em geral muito satisfatórias. Os índices de criminalidade são pouco significativos, quer nos centros urbanos quer na província. Aqui no Brasil, de acordo com dados publicados há tempos pela revista Veja, em 3,5% das casas brasileiras existem armas de fogo e, para cada 100 mil habitantes, há 27 assassinatos. Na Suíça, 35% das residências estão ‘armadas’; no entanto, ocorre apenas 1 (isso mesmo, 1) assassinato para cada 100 mil habitantes. Em pesquisa feita pela PricewaterhouseCoopers e pelo Banco Mundial em 175 países, o Brasil aparece no topo da lista como o que mais gasta tempo com o cumprimento de obrigações com o fisco. As empresas brasileiras de porte médio gastam 2.600 horas/ano no pagamento dos impostos. Na Suíça, o mesmo tipo de empresa despende 68 horas/ano. Por quê será mesmo que o nosso presidente nunca ouve suíço falando mal da Suíça? ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca, reeleito para o período 2007/2008

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