Política de galinheiro - parte I


| Tempo de leitura: 3 min
Penso que o título deste já serviu de breve introdução para a visualização do cenário em que mergulharemos. As personagens curiosas que habitam o interior de um galinheiro, quando observadas as características desses animais que agem em determinados casos semelhantemente ao homem-animal-político, vê-se neles, condutas interessantes que não podemos desprezar, servindo como uma espécie de aprendizado em caráter simplificado, capaz de remeter à sutil compreensão do meio político tão desgastado pela ausência da conduta ética e moral, num processo servil traumatizante, cujo aquele que domina ativamente a outrem politicamente, transforma-o no sujeito passivo de toda essa relação. Entre frangos e pintos, na política de galinheiro, existe o galináceo-rei que predomina dentre os demais - com seu comportamento hostil, comporta-se de maneira vaidosa, altiva e garbosa, indiferente aos demais habitantes do galinheiro, pois ele é o ser dominante e inteligente! O campeão brilhante! O “bam-bam-bam” da estória a ser contada! O cara durão! Ou, simplesmente, o galudo dono do pedaço! Mas, não é nada fácil chegar nessa posição de figura poderosa, vigilante e destemida que exerce sua autoridade com tanta imponência determinante que permite até excessos. Se investigarmos uma trajetória de sucesso, no caso do ‘galo’, veremos que começou de baixo, pois, um dia ele estava preso dentro de um ovo se desenvolvendo em meio aquela inhaca toda, tornando-se após o processo de chocação, num ‘pinto’; depois as penugens são substituídas por plumagens e ele vai ganhando corpo, e então, já é um ‘frango’ naquela fase de deslumbramento existencial de muitas perguntas e poucas respostas. Logo a passagem para a fase adulta chega, complexa e repleta de conflitos internos e externos; assim, o aspirante a galo avança empreitando ascender. De olhar altivo, com sua crista carnuda e esporas afiadas, inicia a busca da compreensão mais apurada das políticas internas do galinheiro, mesmo que para isso tenha que fazer uso da força no combate aos adversários; e então, finalmente, após derrotar opositores; chega ao poder e inicia a construção do seu próprio legado que em muitos casos não é nada honesto e nobre. Imaginemos agora o galinheiro sendo o ambiente ideal para o desenvolvimento do modelo político que têm como sua maior razão a democracia representativa de seus habitantes, ou seja, as câmaras municipais e federais e as assembléias legislativas e ‘suas’ respectivas excelências que as compõem. A verdade é que, a estrutura democrática-representativa seja ela municipal ou não, está posta, arraigada profundamente, viciada, corrompida, alucinada e embriagada pelo poder; exceção apenas de alguns poucos eleitos cada vez mais raros que ainda se salvam. Mas, em virtude de fortes esquemas de convencimento (coação) nos bastidores do poder, cujo pensamento principal e estratégico da cartilha é, ‘o ser humano talvez por sua natureza é corruptível e, caso não o seja, tem sempre alguém a quem pertença a sua alma; tendo ainda, aqueles com terríveis segredos capazes de levá-los ao mais profundo desespero...’ Voltando ao ‘galo’, ele representa no cenário aquela autoridade executiva de um município, estado ou nação - que na rinha da eleição derrotou e humilhou seus adversários (aspirantes a galo) sem nenhuma compaixão, conferindo-lhe os direitos e prerrogativas inerentes ao cargo. Agora, vitorioso, ele é o cara. Ou melhor, ele é o galo! Entretanto, é sabido que num galinheiro-político existem os ‘frangos’, esses por sua vez, invejam seu grande líder, apesar de dizerem fazer parte de um grupo ou ‘espécie de poder independente’; de capacidade política frágil, provinciana e insossa - sonhando um dia cantar como o galo. Porém, ainda piam como pintos à procura das sobras que caem do banquete executivo. Na segunda parte deste artigo, aprofundaremos em saber um pouco mais sobre os frangos. E, ainda, dos atributos do galo-hermafrodita, aquele capaz de botar ovos, chocá-los e ver nascer politicamente seus ‘pintos’. RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público, integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca, reeleito para o período 2007/2008

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários