Meu bezerro de estimação


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Jacó, que adotou o bezerro em fevereiro, segura a pata do animal
Jacó, que adotou o bezerro em fevereiro, segura a pata do animal
Um bezerro marrom, saudável e de sorte. Rejeitado pela vaca-mãe, Barroso escapou da morte, ganhou um “quarto” em plena região central da cidade e tratamento de rei. Desde fevereiro, o mecânico Jacó Nunes de Oliveira, 53, cria o animal no quintal da sua casa, no Bairro Cidade Nova, próximo à sede da prefeitura municipal. O bezerro virou animal de estimação. Hoje, Barroso está com cinco meses, mas foi adotado com apenas três dias de vida. Jacó foi contratado para consertar uma bomba numa fazenda próxima a Ibiraci. No local, soube que a mãe do bezerro o tinha rejeitado e o filhote seria sacrificado. Apaixonado por animais, Jacó quis mudar o destino do bicho. Conseguiu. Colocou-o no carro e trouxe-o para ser criado em sua casa. “Fiquei com dó dele. Quando o peguei, já estava abandonado, sem comer direito. Agora está bem. Quero cuidar dele até crescer”. Para acolher o bicho, que costuma nascer com 30 quilos em média e 70 centímetros de altura, Jacó e sua mulher transformaram a despensa em quarto, onde Barroso dorme tranquilo. A cama é feita com serragem. Ele parece ter aprovado a escolha. Dorminhoco, se recolhe várias vezes ao dia para relaxar no seu cantinho, especialmente depois de mamar ração dissolvida no leite pela manhã e à tarde. Outro aspecto aprovado pelo novilho é a companhia encontrada no novo lar. Ele se tornou amigo do vira-lata da família. A convivência, inclusive, parece ter feito Barroso assimilar alguns hábitos caninos. Atende quando chamado e dá a pata para Jacó. “Os dois não se estranharam. Brincam até um com outro”, disse o dono. Em casa, fica amarrado para não entrar na residência, mas tem momentos de lazer. Todos os dias, fica um tempo na calçada para o banho de sol. Nesta hora, ele se torna a estrela da Rua Major Mendonça. “As crianças que passam aqui ficam loucas. Querem ver, passar a mão”, disse o mecânico. Durante o dia, também há espaço para se exercitar. Jacó leva o bicho de estimação para correr e andar num terreno vago perto de sua casa, geralmente depois de escovar o pêlo para retirar as serragens que grudam quando se deita em sua “cama”. O bezerro tem paladar exigente. Não come capim ainda nem ração pura, apenas com leite da roça e gosta de milho, querela servida por Jacó e cenoura. Os gastos são de cerca de R$ 100 por mês para sustentá-lo. “É por amor mesmo. Se a gente ganhasse uns pacotes de ração, seria muito bom...”. Os donos disseram que os vizinhos não se incomodam com a presença de Barroso. “A gente limpa a sujeira dele todo o dia para não dar mau cheiro”. As fezes são juntadas para servir de esterco. “As pessoas vêm buscar para adubar suas plantas”. O bezerro continuará com as regalias, mas por tempo determinado. Daqui um mês, deverá se mudar para o sítio do cunhado de Jacó. “Primeiro ele tem que crescer e aprender a sobreviver, comer capim sozinho. Vou levar ele no sítio para acompanhar outros bezerros e vacas, ficar amigo deles e depois ficar lá direto”. Fernando Baldocchi, chefe da Vigilância em Saúde, disse que não consta no Código Sanitário menção à criação de bovinos em residências. Quem quiser conhecer o bezerro de estimação de Jacó pode ir até a Rua Major Mendonça, 1802, na Cidade Nova.

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