Provedor da fundação Santa Casa desde fevereiro, José Cândido Chimionato reconhece que a situação financeira da instituição beira o insustentável. Tanto que, mesmo com os R$ 600 mil que dever chegar do Estado a partir de julho e uma economia de R$ 200 mil mensais, ainda restará um buraco de outros R$ 200 mil para cobrir no caixa da fundação. Mas ele se diz esperançoso e acredita que ainda dá para reverter a crise e tirar o hospital, que atende Franca e outras 22 cidades da região, do fundo do poço. Veja os principais pontos de uma entrevista exclusiva concedida por ele ao Comércio.
Comércio - Se a Santa Casa fosse um paciente, como o senhor definiria a situação dela?
Chimionato - Muito grave e complicada, mas não diria que está gravíssima. Se algumas promessas se concretizarem, como os R$ 2 milhões prometidos pelo deputado Gilson de Souza, a coisa pode melhorar um pouco. Já pagaríamos parte dos débitos atrasados com os fornecedores, que são de quase R$ 4 milhões. Além disso, a partir de julho, deverá começar a entrar na Santa Casa o dinheiro do Estado (R$ 600 mil por mês).
Comércio - E como cobrir o restante do déficit (R$ 1 milhão por mês)?
Chimionato - Estamos em um sistema de redução acintosa de gastos. Esperamos economizar, com isso, R$ 200 mil ao mês. Cada departamento terá uma meta a ser seguida e cobraremos isso. Quanto aos R$ 200 mil restantes, acredito que o Estado poderá e deverá intervir junto aos municípios da região. Não queremos polêmicas com ninguém, mas acho que eles têm obrigação de ajudar a cobrir esse déficit, já que fazem parte dele.
Comércio - E se esse dinheiro todo não chegar?
Chimionato - Bem, aí teremos problemas mais sérios. Brigaremos para economizar ao máximo os produtos hospitalares e procedimentos médicos. Se fizermos isso, ainda agüentaremos mais uns 50 dias com atendimento reduzidos. Passado esse período, aí sim, nossa situação ficaria caótica de verdade. Nem dá para precisar o quanto.
Comércio - A Santa Casa chega aos 111 anos?
Chimionato - Eu espero sinceramente que sim. Não dá para explicar como a Santa Casa ainda mantém as portas abertas. Tenho impressão que exista alguma ajuda superior, tem muita gente que reza pela gente. Se depender de fé, de boa vontade, ela pode chegar até os 220.
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