A Santa Casa completou, no sábado, 110 anos. Alcançou, com isso, uma marca de que poucas empresas ou instituições podem se vangloriar. Mas, em meio às comemorações, há uma preocupação: terá a fundação saúde financeira para chegar aos 111? Atualmente, é inegável que, trocadilhos à parte, a Santa Casa está mal, na UTI, respirando por aparelhos. Apresenta melhoras, mas corre risco, e muito, de morrer e deixar “órfãs” as 700 mil pessoas que atende na região.
Os primeiros sinais que antecedem o óbito já foram dados. O funcionamento de alguns setores, gradativamente, vai parando. No dia 10, os serviços de reabilitação e fisioterapia, ambulatório de ortopedia, laboratório de análises clínicas, cirurgias eletivas e Raio-x foram paralisados ou drasticamente reduzidos.
Em razão desse colapso, 3,6 mil pessoas não foram atendidas.
A crise da Santa Casa não é nova. Ao longo dos últimos anos, a entidade sempre arrecadou menos do que gasta. Tentativas foram feitas para salvá-la, como a intervenção da Justiça e da Prefeitura, em 2001, o envolvimento do empresário Onofre Trajano, de 2002 a 2006, mas foram paliativas: o problema persiste.
O buraco, mês a mês, vai aumentando. Hoje, a dívida bate a casa dos R$ 25 milhões. Com um déficit operacional de R$ 1 milhão por mês, a Santa Casa terá, nos próximos dias, um alento. O governo do Estado assumirá o comando dos leitos e repassará R$ 600 mil mensais por isso, ou seja, dará metade da dose do remédio de que o hospital necessitaria para ser curado de vez. “Já cobrirá 60% de nosso débito. Aí teremos de economizar muito dinheiro e contar com a influência do Estado para que os municípios da região também colaborem”, diz José Chimionato, provedor da instituição.
Além disso, o deputado Gilson de Souza conseguiu a liberação de R$ 2 milhões em emendas que beneficiarão o hospital. A primeira delas, de R$ 500 mil, deve ser liberada nos próximas 40 dias.
Na busca pela sobrevivência, a diretoria buscará tratamento alternativo, recorrendo aos maiores interessados na continuidade de seus serviços, ou seja, às prefeituras de Franca e região.
Mas, pelo histórico de reuniões realizadas e pedidos negados nos últimos dois anos, as esperanças não são muitas. A começar por Franca, onde o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) disse seguidas vezes que já destina 22% do orçamento municipal à Saúde e que não tem como ampliar o índice.
A morte da Santa Casa pode estar mais próxima do que se imagina. Segundo fontes do Ministério Público, uma auditoria foi realizada por técnicos do órgão e o diagnóstico foi péssimo. Se o déficit não for zerado ou diminuído drasticamente, “em pouco tempo, a instituição não terá mais condições de manter as portas abertas”.
Pior que o fim da instituição seriam as conseqüências ocasionadas pelo fato. Sem outros hospitais atendendo pelo SUS na cidade, a morte da Santa Casa ocasionaria muitas outras, de pessoas reais, que ficarão sem ter a quem recorrer.
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