Crise no mercado clandestino de drogas ilícitas. Com a repercussão dada, durante a semana, sobre o caso da garota de 13 anos que abortou em Franca após introduzir um comprimido de Cytotec na vagina, o medicamento sumiu da praça.
No Brasil, o Cytotec é considerado uma droga proscrita, ou seja, não é encontrado no mercado farmacêutico devido ao uso indiscriminado como abortivo. “Ele é utilizado em circunstâncias muito raras, com orientação profissional, em atendimento hospitalar, para uma indicação relacionada à úlcera gástrica”, explica o farmacêutico Alexandre Leonel.
As restrições impostas à comercialização não impedem o uso em larga escala por mulheres que tentam abortar. O acesso ao Cytotec ocorre livremente graças ao mercado ilegal do medicamento contrabandeado. “Esse medicamento normalmente entra no Brasil vindo do Paraguai. Estamos investigando a ocorrência e monitorando alguns suspeitos sob sigilo. Quem for surpreendido, será autuado em flagrante por contrabando e tráfico de entorpecente”, comenta o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Segundo o policial, o medicamento seria vendido em domicílio por sacoleiros mediante encomenda, ou camuflados em barracas. Na manhã de sexta-feira, a reportagem esteve no “camelódromo” do Centro em busca do Cytotec. “Não trabalho com isso, não. Só vendo relógios e aparelhos eletrônicos”, disse, sem convencer, um ambulante. Entrevistada por telefone, uma mulher que viaja com freqüência para o Paraguai também afirmou não vender Cytotec, mas admitiu que a demanda é elevada. “Muitas pessoas me ligam perguntando a respeito. A procura é grande”.
Diversos sites oferecem o produto pela a Internet com a promessa de entrega imediata. Oferecem um manual de procedimentos e prometem “auxílio total”. Em média, cada comprimido custa R$ 80.
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