A dona de casa Ana Resende Ferreira, 54, já se habituou a cruzar com uma família de cavalos andando tranqüilamente pela rua de sua casa, no Jardim Aeroporto III. Ela não é a única. A cena se repete em vários pontos da cidade, principalmente em bairros mais afastados da região central e rodovias. Só a Prefeitura apreende cerca de 10 animais de grande porte todos os meses.
Com o pasto seco e as constantes queimadas, o problema se agrava. Vacas, cavalos, bois e outros bichos saem em busca de alimentos pelas ruas e até dentro das casas. Além dos eqüinos, Ana Ferreira já encontrou bodes passeando em frente a sua residência, na Rua Alely Antunes de Paula. Um deles chegou a invadir o quintal. “Eles e os cavalos fogem atrás de comida. Os bodes andam sumidos, mas tem um cavalo, uma égua e um potrinho que sempre passam por aqui. Dia desses, o dono chegou de bicicleta e perguntou: ‘o que vocês estão fazendo aqui? Aqui não é lugar de vocês não. Vamos embora’ e tocou os animais”, disse ela, que se preocupa com o risco de acidentes. “É perigoso porque toda hora desce ônibus na rua. Quem dirige sofre muito”.
Além do susto, os motoristas correm risco de morte. No mês passado, o jovem Alexsander Martins, de apenas 24 anos, morreu depois de atropelar uma vaca na Rodovia Waldir Canevari, entre São José da Bela Vista e Nuporanga. Era noite e ele não enxergou o animal no meio do caminho, bateu com a moto, foi jogado ao chão e morreu na hora.
Riscos no trânsito não são os únicos transtornos causados pela presença de animais grandes nas ruas. A sujeira, cheiro forte das fezes e barulhos são outras queixas de quem recebe a “visita” deles. Valdete Vilar, professora aposentada, foi obrigada a se acostumar com as cavalgadas pelo asfalto durante a noite. “Aqui na região do Aeroporto, Aviação e Santa Bárbara é cheio de gado por causa das fazendas e chácaras próximas. Sempre ouço o barulho das patas deles na rua”. Há moradores que, no silêncio da madrugada, ouvem relinchos também.
DESTINO
Para retirar animais de grande porte das ruas, a Prefeitura trabalha em conjunto com a Polícia Militar, pois o problema está relacionado ao trânsito. As pessoas que cruzarem com os bichos pela cidade e em rodovias devem acionar os policiais pelo telefone 190, que encaminharão a ocorrência à Carrocinha, contratada pela Vigilância Ambiental.
O recolhimento do gado é feito pelos mesmos profissionais que retiram cachorros e gatos das ruas. O destino do gado também se repete: o canil municipal. Lá, vacas, cavalos, bois e afins ficam em baias até seus donos se manifestarem. Se não o fizerem no prazo de cinco dias, a Prefeitura publica edital para comunicá-los da apreensão e estipula data para a retirada. Caso não resgatem o gado, a boiada poderá ser leiloada.
Fernando Baldocchi, chefe de Vigilância em Saúde, disse que 99% dos proprietários retiram os animais antes do edital. Para recuperar os fujões, pagam R$ 13 de diária do canil por animal e ficam sujeitos a advertência e multas superiores a R$ 130 mil. “É aberto um processo administrativo para averiguar as razões da fuga e aplicar as penalidades previstas no código de infrações sanitárias”.
A solução apontada para eliminar o problema é conscientizar os criadores dos riscos de vacas e cavalos soltos. Eles devem prender os animais de maneira segura, verificar sempre o estado de conservação das cercas e alimentá-los corretamente para evitar as fugas.
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