Tudo tranqüilo


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ARTISTA - O aposentado Antônio da Silva adora pendurar garrafas de vidro no teto da casa e enfeitar a cerca: “Acho bonito e todo mundo comenta”
ARTISTA - O aposentado Antônio da Silva adora pendurar garrafas de vidro no teto da casa e enfeitar a cerca: “Acho bonito e todo mundo comenta”
Nove casas, duas ruas e menos de 30 pessoas. Essa é a Chave da Taquara. Simples assim. O povoado está localizado a 7 quilômetros de Cristais Paulista. O vilarejo fica às margens da Rodovia Cândido Portinari. A tranqüilidade é sua principal característica. O lugar é tão quieto que parece mais uma colônia de agricultores sem muita movimentação. Para conversar com os moradores, é preciso bater na porta. O povoado surgiu há mais de cem anos nos arredores da estrada de ferro. Os moradores contam que o lugar era bem movimentado. Nada a ver com a calmaria que reina nos dias de hoje. Todas as casas têm energia elétrica. A água vem de cisternas. Não tem posto de saúde, escola, venda nem telefone público. Esse último é o único alvo de reclamação dos moradores. Menos de cinco famílias tem telefone fixo em casa ou celular. O jeito é contar com a compreensão dos vizinhos. As duas ruas são de chão batido e, no que depender da população, continuarão assim. Eles dizem gostar do jeitinho de zona rural que a falta de asfalto lembra. Além das casas, só há uma igreja onde é celebrada missa uma vez por mês. O vilarejo já foi alvo de matérias do Comércio no ano passado. Entre os moradores da Chave da Taquara, está Antônio José da Silva, 61. Ele mora há 15 anos no vilarejo e se diz satisfeito. A casa de Silva é a que mais chama atenção de quem entra no bairro. [FOTO2] Ele pendura garrafas de vidro de cores azuis em volta de todo o imóvel. Para os curiosos, vai logo explicando. “É para ajudar a segurar o telhado”. E não é tudo. Na cerca em frente a casa, estão pendurados pedaços de plásticos com desenhos de asas. “Acho bonito. Todo mundo que passa aqui comenta que é diferente”. Ao lado da casa de Antônio, mora a dona de casa Cirlei das Graças Miguel, 48. Ela se mudou para o bairro há 13 anos. Está feliz com a vida que leva. “Não tem lugar mais sossegado do que a Chave. Até parece roça”. Ela e a irmã Neide França, 58, montaram um banco de madeira em frente da casa onde passam horas conversando. O aposentado José Guarnieri, 71, passa a semana sozinho na casa que fica bem no meio do bairro. Ele garante que não sente solidão. “A minha mulher trabalha na Santa Casa de Franca e fica difícil dela ir e voltar todos os dias. Ela só vem nos fins de semana”. Se perguntam por que ele não se muda para Franca, responde logo: “Ah, não. Eu tenho carro e, se a saudade aperta, vou até lá. Mas não vejo a hora de voltar rapidinho para a Chave da Taquara. Aqui é muito bom. Não tem diversão, não tem trabalho, mas também não tem violência”. SEM LAZER A única agitação no bairro é a quermesse da igreja que acontece em agosto. Os moradores não se importam com a falta de lazer, pelo contrário. Preferem o sossego. “Gosto mesmo é dessa vida tranqüila e do silêncio que faz aqui. Por isso, não pretendo me mudar nunca”, disse Antônio José da Silva. Não só ele. Como em todos os bairros rurais da região, os moradores da Chave têm verdadeira adoração pelo lugar onde escolheram morar e viver. “Não quero outra vida. Adoro isso aqui”, disse Antônio.

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