‘Não sou pau-mandado’


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O vereador e radialista Marcelo Valim, apesar de ser do mesmo partido do prefeito, foi um dos principais opositores à aprovação do projeto que autoriza a prefeitura a renovar o contrato com a Sabesp. “Não tenho medo de brigar e
O vereador e radialista Marcelo Valim, apesar de ser do mesmo partido do prefeito, foi um dos principais opositores à aprovação do projeto que autoriza a prefeitura a renovar o contrato com a Sabesp. “Não tenho medo de brigar e
<p>O radialista Marcelo Valim foi o centro das atenções na Câmara Municipal, na terça-feira, durante a votação do projeto de lei que autorizou a Prefeitura a manter a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) à frente dos serviços de água e esgoto em Franca pelos próximos 30 anos.</p> <p><br />Mesmo sendo do partido do prefeito Sidnei Rocha, o PSDB, Valim foi contrário ao projeto. Criticou a postura do Executivo, de pressionar os vereadores, e se decepcionou com a falta de firmeza dos companheiros.</p> <p><br />Com a língua afiada, confessou estar decepcionado com o posicionamento do amigo Marcelo Mambrini (PMN), que instantes antes da votação dizia estar do seu lado, apoiando o adiamento do projeto, e na hora mudou de idéia. Repudiou, ainda, o comportamento do presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), que deixou a sessão antes da votação. “Eu não faria isso. Para mim, compromisso algum era mais sério que votar aquele contrato”, disse. Confira os principais pontos da entrevista exclusiva que concedeu ao Comércio. </p> <p><strong>Comércio da Franca - Por que você votou contra o projeto da Sabesp, mesmo sendo do partido do prefeito?<br />Marcelo Valim</strong> - Um projeto de tal importância não pode ser votado às pressas. Li todo o contrato, mas não entendi tudo e acho que mereceria uma atenção maior. O prefeito poderia ter se reunido comigo, conversado, mas isso não aconteceu. Não é porque sou de seu partido que vou votar em tudo que ele quer. Não sou um pau-mandado. Estou ali para defender os interesses da população. </p> <p><strong>Comércio - Quais as principais dúvidas sobre o contrato?<br />Valim</strong> - Várias. Primeiro, por que tanta pressa? Ele (Sidnei Rocha) teve mais de seis meses para negociar com a Sabesp. Outra coisa, por que a Sabesp não paga IPTU? Se a Prefeitura não paga suas contas de água, tem o fornecimento cortado. Por que a Sabesp tem essa regalia de não pagar o IPTU? Não concordo com isso. Ali tinha muitas coisas confusas. </p> <p><strong>Comércio - Como o senhor analisa a pressão exercida pelos assessores do prefeito para cima dos vereadores?<br /> Valim</strong> - Também não entendi isso. Fiquei indignado com toda a pressão exercida pelo Executivo. Vi alguns vereadores acuados. Senti vergonha, naquele dia, de ser vereador. Um projeto de tal importância não pode ser avaliado de uma vez, de uma hora para outra, demanda tempo. São 30 anos, hoje tenho 39, vou ter 69 quando vencer. </p> <p><strong>Comércio - Dos 15 vereadores, ao seu ver, quantos entenderam o contrato?<br />Valim</strong> - Só o Rui Engrácia, porque trabalha na Sabesp. Alguns olham e dizem: é do prefeito, então vou assinar. A maioria de nós não entendeu o projeto de lei. </p> <p><strong>Comércio - Os vereadores “amarelaram”?<br />Valim</strong> - Os outros não sei, mas digo que eu, Marcelo Valim, não tremi e não tenho medo de pressão. A partir do momento que me elegi vereador me preparei para toda e qualquer situação. Quanto aos outros, se sentiram a pressão, cada um tem que responder por si. </p> <p><strong>Comércio - Quais as ferramentas de pressão com que a Prefeitura conta?<br />Valim</strong> - Acho que o medo do cidadão é fazer algum pedido e o prefeito não atender. O vereador sobrevive, todo mundo sabe, junto com o prefeito. Se o prefeito não atender, o vereador não é ninguém. Da minha parte, nunca fui pressionado. Não aceito o cara falar que se eu não fizer isso não terei aquilo. </p> <p><strong>Comércio - Mas houve outros tipos de pressão, como a que foi exercida sobre Mambrini (que é PM reformado e teria sido pressionado por oficiais da corporação a apoiar o projeto da Sabesp)? O senhor se decepcionou?<br />Valim</strong> - Achei isso muito feio. Fiquei chateado demais. Na política, o cara tem que defender o interesse da comunidade, não pode existir vereador de bairro. Sou de tal bairro ou tal segmento. Não sei de onde veio o oficial, mas eu o vi conversando com o Mambrini. Até então, ele era favorável ao adiamento para tirarmos nossas dúvidas. De repente, vi ele votando sim e fiquei sem entender.  Acho que polícia não pode se envolver em política de maneira alguma. O comando não tem nada que ir lá dar palpite. Eu me decepcionei, claro. E falei isso para ele. O Mambrini me deixou muito triste. Acho que o homem tem que ter uma palavra só. </p> <p><strong>Comércio - Passada a votação do projeto, a quantas anda sua relação com o prefeito Sidnei Rocha?<br />Valim</strong> - Normal. Acho ele um político inteligente, tanto que chegou onde está. Continuo respeitando-o, mas insisto: só voto favorável nos projetos que acho que tenho de votar. Ele mesmo me ensinou que política não é feita com o coração, mas com a razão. </p> <p><strong>Comércio - Há rumores de que sua relação com o chefe de Gabinete de Sidnei, José Paschoal Ribeiro, está abalada. É verdade?<br />Valim</strong> - Não tenho nada contra o Paschoal. A gente conversa o que precisa. Mas no caso da Sabesp eu já estava com a cabeça feita e dificilmente me mudam de idéia. Acho que por isso não falou comigo na terça nem me procurou. </p> <p><strong>Comércio - O prefeito disse que alguns vereadores querem se candidatar a prefeito. É o seu caso?<br />Valim</strong> - Não penso em ser prefeito não. Não me candidatarei a prefeito, vou tentar a reeleição, porque acho que preciso pegar mais experiência primeiro. Uma vontade que eu tenho é a de um dia me candidatar a deputado estadual. Não tenho medo de colocar a cara para bater, não sou de afinar. </p> <p><strong>Comércio - Por falar em afinar, como analisa a postura do presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro, que deixou o plenário momentos antes da votação?<br />Valim</strong> - Analisar é complicado. Eu estava na minha mesa pouco antes da votação, ele me chamou e disse que eu, como vice-presidente, assumiria a presidência. Disse que tinha uma palestra importante, que ele tinha que ir. O motivo que o levou a fazer isso fica até difícil falar. Agora, acho que compromisso sério era aquele do contrato da Sabesp, porque são 30 anos. Se eu tivesse um compromisso naquela noite, iria, inclusive, desmarcá-lo, deixar para lá. Eu tinha que ir à faculdade na terça-feira entregar meu TCC (Tese de Conclusão de Curso) e não fui. Para mim, não tinha compromisso mais importante que aquele. </p> <p><strong>Comércio - A mesma situação ocorreu em outro projeto polêmico, da votação sobre a vinda do CDP (Centro de Detenção Provisória) para Franca.<br />Valim</strong> - Sei que ele se ausentou daquela vez também, mas não sei por que. Além disso, aquela vez ele ainda era somente vereador e não presidente da Câmara. </p> <p><strong>Comércio - Outro embate com o Executivo é esperado para os próximos dias, já que Sidnei Rocha deverá vetar todas as emendas. Como vê isso?<br />Valim</strong> - Vou brigar pelas minhas emendas até o fim, porque são justas. A gratuidade na primeira ligação e a autorização para colocar o eliminador de ar nos canos de água. Não tenho medo de brigar e sou bom de briga. Mas o prefeito é inteligente, não é burro. Apesar da impressão que ficou desse projeto da Sabesp, de que ele passa por cima da Câmara a hora que ele quiser, ele vai precisar da Câmara para governar. Felizmente!</p>

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