Família passa fome no City Petrópolis


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A pequena Bianca chupa uma laranja na tarde de ontem. Criança não toma leite há muito tempo
A pequena Bianca chupa uma laranja na tarde de ontem. Criança não toma leite há muito tempo
A entrada é por um corredor apertado. Os cômodos, além de sujos, estão velhos e não têm tamanho suficiente para abrigar todos os moradores. O cenário é o “lar” de 23 pessoas, sendo 12 crianças e adolescentes entre 11 meses e 17 anos, formado em duas casas simples no City Petrópolis. A lavradora Ana Vieira dos Santos, 48, vive nos imóveis alugados com os filhos, netos e sobrinhos. À família faltam comida, roupas, colchões e produtos de limpeza. Nem sabão para lavar a roupa das crianças havia ontem na casa. Dos 11 adultos que moram no local, apenas três estão empregados. Roselene Soares da Silva, 19, teve de deixar o serviço na roça há um mês para, ao lado da prima Rosa dos Santos, 30, dona de casa, (que foi morar com eles depois do marido ser preso), olhar as crianças enquanto os outros mais velhos trabalham na panha de café. Na manhã de ontem, Roselene, além do filho, irmãos e sobrinhos para olhar, cuidava de duas meninas pequenas, filhas da amiga da irmã dela. Não bastassem as dificuldades para cozinhar, dar banho, trocar fralda de tantas crianças e manter a casa em ordem, Roselene sofre com a falta de dinheiro para sustentá-las. As refeições mais comuns na casa são arroz e feijão para os mais velhos e macarrão para os menores. Ontem, eles dividiram um frango entre 20 pessoas depois de um mês sem comer carne. “Mistura é coisa difícil aqui em casa”. O leite é outro alimento rateado. Roselene recebe da Prefeitura para seu filho, mas tem de dividir com as crianças menores. “Os meninos me pedem também, mas não posso dar porque não sobra. Eles ficam sem”. Na tentativa de ter recursos para comprar alimentos, os familiares cozinham num fogão a lenha. “A gente pega os galhos na mata aqui em frente. Assim, economizamos gás e dinheiro”. Ainda há outros problemas. Roselene disse que passam frio, pois as cobertas estão rasgadas. “Ganhamos algumas, mas não deu para todo mundo”. Os locais onde dormem também são precários. A cama de um garoto de 7 anos é sobre duas poltronas na sala, duas outras crianças dormem numa cama de solteiro e outras três na mesma cama de casal no quarto. Alguns se deitam em colchões no chão na sala e dormitórios. Mesmo tão pequena, Jenifer dos Santos, 8, tem na ponta da língua seu maior desejo: “Queria que não faltasse comida na minha casa nem gás. Não passo fome, mas minha mãe só compra o que dá”, disse. RECURSOS Roselene não soube informar exatamente qual a renda de toda a família. Apenas sabe que a mãe consegue R$ 100 a cada 15 dias, a irmã R$ 18 por dia e o marido não sabe, pois faz pouco tempo que está empregado. “Sei que é difícil dar conta de pagar aluguel (R$ 210 é o valor pago pelas duas casas), água, luz e ainda comprar comida para todo mundo. A última conta de força deu quase R$ 200”, disse. Os moradores sobrevivem com doações de voluntários também. Até novembro de 2006, a matriarca, Ana Vieira, recebia R$ 95 do Bolsa Família, mas houve duplicidade no seu cadastro e o benefício foi cancelado. O cadastro dela foi alterado em março deste ano e ela deverá voltar a receber o auxílio do governo federal. Consultado sobre a situação, Roberto Nunes Rocha, secretário de Ação Social, disse que a família é acompanhada pela Prefeitura desde 1998. “Tudo que compete ao município está sendo feito. Gostaríamos de oferecer uma residência que confortasse todos eles, mas não temos condições. Fazemos o que é possível”. SERVIÇOS Quem quiser ajudar, deve entregar os donativos na Avenida São Pedro, 1211, no City Petrópolis.

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